12:08 19 Setembro 2017
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    Visão geral do Parque Olímpico da Barra antes das Olimpíadas de 2016

    Legado negativo da Rio 2016 prejudica Brasil para os Jogos de Tóquio 2020

    André Motta/Brasil2016.gov.br
    Esportes
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    Alguns meses após receber o maior evento esportivo do planeta, o Brasil, que esperava dar uma guinada olímpica com a Rio 2016, já enfrenta dificuldades financeiras para encarar o novo ciclo olímpico, o dos Jogos de Tóquio 2020.

    Na última quarta-feira, o site Máquina do Esporte revelou que o Comitê Olímpico do Brasil (COB) perdeu o apoio de alguns dos principais apoiadores do Time Brasil após as Olimpíadas do Rio de Janeiro. Contratos firmados com grandes empresas como Nike, Nissan e Bradesco chegaram ao fim em dezembro passado e não foram renovados. 

    Informações fornecidas pelo serviço de imprensa do COB dão conta de que o comitê já está buscando um novo plano comercial para o esporte olímpico a fim de garantir o sucesso da delegação brasileira no Japão. 

    "As primeiras categorias que serão abertas para negociação são: material esportivo, banco e telefonia. O objetivo do COB é fechar estes três patrocinadores oficiais ainda em 2017", disseram os assessores ao site. 

    Em entrevista à Sputnik nesta quinta-feira, 16, o advogado Pedro Trengrouse, coordenador do curso de Aperfeiçoamento em Gestão de Esportes da Fundação Getúlio Vargas (FGV), explicou que o Brasil sempre sofreu com problema de patrocínio para o esporte olímpico. Segundo ele, as atividades olímpicas sempre foram muito dependentes de investimentos do governo, investimentos que, por problemas de gestão, foram e continuam sendo feitos de maneira errada.

    "A resposta é simples: o dinheiro está no lugar errado, o dinheiro não chega ao atleta", disse o especialista, lembrando que o COB recebeu mais de 1 bilhão de reais do poder público nos últimos ciclos. 

    Apesar dos protestos contra o excesso de gastos em meio a crises financeiras, os Jogos Olímpicos e Paralímpicos de 2016 encheram de orgulho não apenas os cariocas, mas toda a população brasileira. Entre as principais razões para esse orgulho, as arenas que serviram de palco para milhares de atletas nos meses de agosto e setembro do ano passado foram um destaque a parte. Com investimentos aproximados de 7 bilhões de reais, no entanto, o Parque Olímpico da Zona Oeste, que prometia ser um dos maiores legados do evento, já se encontra em estado de total abandono. Para Trengrouse, esse triste episódio é apenas mais um exemplo de um problema recorrente do setor no Brasil, onde falar em legado "parece piada".

    "Quando se olha para o Rio de Janeiro, que recebeu Jogos Pan-americanos, Jogos Olímpicos, Copa das Confederações, Copa do Mundo, Jogos Paralímpicos, hoje, não tem estádio para o Campeonato Carioca [de futebol]", afirmou. "Então, falar de legado nessa situação parece piada", acrescentou. 

    Ao ser questionado sobre o fim desses três grandes patrocínios privados, o COB informou à Máquina do Esporte que, "assim como os outros setores da sociedade, o esporte também vive os efeitos da crise econômica" que atinge o Brasil. No entanto, de acordo com o advogado ouvido pela Sputnik, por mais que a crise tenha, sim, influência sobre essa questão, ela não pode ser utilizada como justificativa única para a falta de patrocinadores. 

    "É falta também de uma política mais inteligente de busca de patrocínio por parte das organizações desportivas. O esporte ainda vive no modelo da televisão, onde o patrocínio ganha visibilidade. Precisamos evoluir, para que o esporte seja realmente um veículo para melhorar os negócios dos patrocinadores", explicou.  

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    Tags:
    Parque Olímpico, Jogos Paralímpicos, Jogos Olímpicos, Máquina do Esporte, Nissan, Bradesco, Nike, FGV, COB, Sputnik, Pedro Trengrouse, Tóquio, Rio de Janeiro, Japão, Brasil
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