05:06 13 Novembro 2019
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    Chuck Blazer

    Americano ex-funcionário da FIFA admite corrupção em votação da Copa 1998

    Bernd Kammerer
    Esportes
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    O americano Chuck Blazer, homem que delatou a Fifa para a Justiça americana, confessou diante de uma corte nos Estados Unidos que cartolas receberam propinas para a escolha da França como sede da Copa do Mundo de 1998 e da África do Sul como sede da Copa de 2010.

    Segundo Blazer, antigo membro do Comitê Executivo da FIFA, os pagamentos ocorriam já em 1992, quando a Fifa ainda era presidida pelo brasileiro João Havelange. A Copa de 98 foi organizada por Michel Platini, atual presidente da UEFA e sério candidato a ocupar o cargo de Joseph Blatter. 

    "Entre outras coisas, eu concordei com outras pessoas em 1992 para facilitar a aceitação de uma propina em relação à escolha da sede da Copa de 1998", disse Blazer. O documento também aponta que o mesmo mecanismo foi usado para dar à África do Sul a sede da Copa de 2010. 

    Em um documento publicado nesta quarta-feira pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, Blazer deixa claro que não foi o único a receber o dinheiro. 

    "Começando por volta de 2004 e continuando até 2011, eu (Chuck) e outros do Comitê Executivo da FIFA concordamos em aceitar propinas em relação à escolha da África do Sul como sede da Copa de 2010", declarou o americano diante da corte dos EUA, no dia 25 de novembro de 2013. 

    Naquele momento, o brasileiro Ricardo Teixeira, ex-presidente da CBF, era um dos membros do Comitê Executivo da FIFA e votou pela África do Sul. O outro candidato a receber a Copa era o Marrocos. A escolha dos sul-africanos foi marcada pela presença de Nelson Mandela na FIFA, num dos momentos que a entidade mais se orgulha em mostrar imagens. Chuck não cita nomes em sua confissão, mas deixa claro que votos foram comprados. 

    Há uma semana, documentos do FBI indicaram também que os sul-africanos haviam pago US$ 10 milhões ao então vice-presidente da FIFA Jack Warner em troca de votos. Nesta quarta-feira, os sul-africanos negaram que se tratava de suborno, mas sim de um programa social que incentivava o futebol no Caribe.

    Será que os EUA irão abrir processos jurídicos para punir os responsáveis pela escolha ilegítima das sedes para a Copa do Mundo de 1998 e 2010? Podemos só constatar que com esta informação e com a renúncia do presidente da FIFA Joseph Blatter, a história em torno do escândalo na FIFA torna-se cada vez mais estranha e confusa mais uma vez provocando rumores de que surge como uma simples "cortina de fumaça" para esconder o escândalo de espionagem com participação dos EUA e Alemanha.

    Vale lembrar que até o dia 6 de junho, na véspera da cúpula do G7, o Bundestag (parlamento alemão) exige a publicação de dados sobre quase 500 mil objetos de espionagem e monitoramento não autorizado por parte do Serviço Federal de Inteligência da Alemanha (BND, na sigla alemã), inclusive e-mails, endereços postais, telefones etc.  

    No início de maio, a mídia alemã tinha informado que tem havido laços entre a NSA e o BND. Segundo as informações, o BND consentiu, durante um determinado período, a atuação da inteligência norte-americana no seu país, mesmo depois das revelações de Edward Snowden e do escândalo de espionagem que afetou a própria Alemanha, junto com o Brasil, em 2014.

    Enquanto isso, o Partido Social-Democrata da Alemanha (SPD, na sigla em alemão) exige que a chanceler da Alemanha Angela Merkel comente o escândalo antes da nova sessão parlamentar no Bundestag, que começa no dia 8 de junho. Apesar da pressão, Merkel provavelmente ainda não irá revelar os dados sobre os objetos de espionagem por parte do BND, diz a rádio Deutsche Welle. Primeiro o lado alemão deve travar negociações com os americanos. Será que até este momento os estadunidenses irão precisar do escândalo em torno da FIFA para distrair a atenção da comunidade internacional?

    EUA usam escândalo de corrupção na FIFA em seus próprios interesses
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    Tags:
    corrupção, futebol, esporte, Copa do Mundo, FIFA, Ricardo Teixeira, Chuck Blazer, EUA
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