23:13 30 Abril 2017
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    Havana, Cuba
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    Aproximação dos EUA com Cuba visa neutralizar Rússia, pensa cientista político

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    O objetivo final da reaproximação dos EUA com Cuba é a neutralização da Rússia, acha cientista político brasileiro. Segundo ele, é um esforço de um país que tem “as mãos atadas” de recuperar influência na região.

    Em entrevista exclusiva à Sputnik, o especialista em Relações Internacionais Fabiano Mielniczuk, professor da ESPM-Sul e diretor da Audiplo, comentou que a renovação das relações diplomáticas e comerciais entre os EUA e Cuba, iniciado no final de 2014 pelo presidente estadunidense, Barack Obama, não é um evento gratuito. Segundo o cientista, a finalidade desta jogada geopolítica é a neutralização do papel da Rússia na região.

    Já a Rússia, diz Mielniczuk, pode responder com outra jogada, estreitando a parceria militar com a Venezuela, país declarado como uma "ameaça regional" pelos EUA.

    Outra "ameaça regional", do ponto de vista oficial norte-americano, é a Bolívia, Estado que também adere ao "círculo bolivariano".

    Deste modo, a tensão nas relações russo-estadunidenses não fica reduzida. Pelo contrário, o Caribe e a América Latina tornam-se palco de um jogo geopolítico, no qual os EUA tentam conservar a sua imagem do principal "exportador da democracia" do mundo.

    E Cuba, sim, pode beneficiar do levantamento do embargo que fez parte das ações "desmesuradas" dos EUA nas últimas décadas, segundo o professor Mielniczuk. O Estado está se tornando mais aberto, procura novos parceiros internacionais, e a qualidade da vida dos cubanos pode melhorar consideravelmente, acha o especialista.

    Mas, reitera o cientista, as ações dos Estados Unidos não visam só favorecer Cuba. O país, tradicional aliado da União Soviética e da Rússia, pode ser almejado pelos EUA como um importante ponto de influência regional.

    Contudo, a aproximação da Rússia com a Venezuela pode significar maior tensão para os EUA com a maior parte do continente sul-americano e latino-americano, já que "aqui há atores que são capazes de incitar à atitude antiamericana em toda a região e muito perto da fronteira estadunidense", acredita o especialista.

    Tags:
    Venezuela, Cuba, EUA, Rússia
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