Jair Bolsonaro

Será o fim do Brasil se o PT voltar ao poder, diz Bolsonaro à Rede Record

© Foto : Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
Eleições 2018
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Ausente do debate dos presidenciáveis da Rede Globo, o último antes das eleições de 7 de outubro, o candidato Jair Bolsonaro (PSL) concedeu uma entrevista de 25 minutos à Rede Record, que foi exibida no mesmo horário, e teceu fortes críticas ao PT.

Entre pausas de 10 minutos – por recomendação médica, segundo a emissora –, Bolsonaro afirmou que uma volta do Partido dos Trabalhadores ao governo federal seria "o fim do Brasil", destacando ainda que irá respeitar o resultado das urnas.

"Sei que ser presidente do Brasil com tantos problemas é uma grande responsabilidade. Sei como será a minha vida por 4 anos. Muitos dizem que não posso ser um bom presidente, mas que sou aquele necessário para o momento", afirmou Bolsonaro.

"Mais grave do que a corrupção é a questão ideológica, jovens com ações que não condizem com aquilo para o qual são formados, não se forma ninguém para o mercado do trabalho. Só se forma militantes […] precisamos dar um pé no traseiro do comunismo e do socialismo. Não podemos admitir essa ideologia no Brasil, que seria o fim da nossa pátria", acrescentou.

Líder nas pesquisas, Bolsonaro conclamou os seus apoiadores a convencerem eleitores indecisos e aqueles que queiram anular o seu voto, a fim de evitar a volta do PT "que já conhecemos" ao poder.

"Ninguém quer ver o José Dirceu voltando ao poder. Não serei o capitão do Exército, mas o soldado do Brasil a serviço desse povo que merece ser feliz", ponderou.

Corrupção

Na mesma entrevista, Bolsonaro voltou a afirmar que recebe acusações de racismo, sexismo e homofobia dos seus opositores da esquerda apenas porque não pode ser acusado de corrupto. De acordo com o presidenciável, quando se fala em corrupção no Brasil é inevitável que o PT esteja envolvido.

"A maioria que vê quem me ataca faz uma análise imediata e vê que eles estão errados e nós estamos certos. Será que eu quero o mal de tanta gente, de negros, mulheres, nordestinos? Não podem me chamar de corrupto. Sempre preguei a união de todos em um só coração verdade e amarelo, e que a esquerda dividiu", continuou.

O candidato ressaltou que não governará sozinho, mas sim com um time a ser escolhido sem critério político, e aproveitou para falar de propostas e polêmicas. Para combater a violência, voltou a criticar o Estatuto do Desamamento que "só aumentou a certeza do bandido que pode invadir uma residência sem resistência".

Bolsonaro prometeu mudar o Código Penal para dar retaguarda ao "cidadão de bem" e aos policiais que atuem em legítima defesa de si e de suas propriedades. Ele ainda desmentiu que queira acabar com o 13o salário – flanco aberto pelo seu vice, o General Mourão –, e acusou o PT de trair os trabalhadores.

"A corrupção está colada no PT, não tem como descolar a corrupção que acontece do PT. O PT não deu certo, traiu o trabalhador por um projeto de poder, como o Dirceu disse há pouco, que é algo diferente de ganhar eleição. Se dissesse isso da minha boca seria uma explosão. Pensamos diferente do PT", criticou.

Ele ainda aproveitou para ironizar os protestos do último sábado em todo o país e no exterior, intitulados #EleNão. "Você tem que ver quem estava no movimento. São artistas que vêm mamando na Lei Rouanet. Ela é importante para o artista raiz, sertanejo, que traz consigo a cultura brasileira", emendou.

"Nasci de novo"

Dizendo-se “bem” de saúde, Bolsonaro aproveitou para agradeceu os médicos que o atenderam na Santa Casa de Juiz de Fora, em Minas Gerais, onde foi atendido após o atentado de 6 de setembro. O candidato voltou a criticar o primeiro inquérito do caso, que indicou que Adélio Bispo, o agressor, agiu sozinho.

"O processo foi conduzido por um delegado que, por dois anos, foi homem de confiança do Fernando Pimental [governador de Minas Gerais, do PT]. A Polícia Federal eu não quero acusar, mas poderia ter usado um outro delegado com mais isenção", opinou. "Sou acusado disseminar ódio e quem leva facada sou eu".

Na defensiva o presidenciável do PSL só ficou quando indagado a respeito das notícias falsas que estariam sendo disseminadas pela sua campanha e por seus seguidores. Bolsonaro negou qualquer ação deliberada nesse sentido, mas explicou "não ter o controle sobre milhões de pessoas" que lhe seguem.

"Temos redes sociais há anos e que alimentamos com verdades. Temos um exército de seguidores que acreditam no que postamos […] Caem em cima de mim quando alguém extrapola. Não pregamos as fake News, não existe mentira e nem atacamos ninguém", assegurou.

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Tags:
extremismo, extrema direita, política, Eleições 2018, Rede Record, Partido Social Liberal (PSL), PT, Fernando Haddad, Jair Bolsonaro, Brasil
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