Mulher participa de protesto contra Jair Bolsonaro, em Lisboa, em 29 de setembro de 2018

Bolsonaro é uma ideia que nos agride e nos mata, diz manifestante em ato em Lisboa

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Caroline Ribeiro
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Seguindo a onda de protestos ao redor do mundo, a praça Luís de Camões, no coração da área histórica de Lisboa, foi palco da maior manifestação contra o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) na tarde deste sábado em Portugal.

De acordo com a imprensa portuguesa, cerca de 300 pessoas participaram do ato, organizado por um grupo de mulheres. Além da capital, houve protestos simultâneos em outras regiões do país, nas cidades de Coimbra e Porto.

Os gritos de "Ele Não" dominaram a concentração em Lisboa. Para a publicitária Rafaela Coelho, paraibana que vive em Portugal há sete meses, participar do ato é uma forma de agir contra o que considera ser um "passo atrás para o Brasil".

"Temos que valorizar as conquistas de quem lutou durante anos para termos o que temos hoje, todos os nossos direitos, então temos que lutar para evitar um retrocesso", conta a publicitária à Sputnik Brasil.

Amiga de Rafaela, a cozinheira Bruna Sabino, de 28 anos, defende manifestações coletivas como uma forma de "lutarmos também pelas pessoas que não entendem os problemas que acontecem no Brasil no momento. Se não lutarmos por nós e por elas, quem vai fazer?".

A concentração na praça Luís de Camões contou com palavras de ordem, grupo musical e muitos cartazes. O de Gabriela Silva, de 22 anos, falava em "resistência".

Gabriela Silva foi uma das brasileiras que participou do ato contra Bolsonaro em Lisboa
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Gabriela Silva foi uma das brasileiras que participou do ato contra Bolsonaro em Lisboa

"Estou aqui hoje porque Bolsonaro não é só uma pessoa. Ele é também uma ideia, e é uma ideia que nos agride, que nos mata. As pessoas que o apoiam também estão apoiando esse discurso. Não tem como dizer que o cara é honesto, mas tudo bem achar certo os incentivos às agressões e a liberação do porte de arma, só mais violência. Por isso temos que resistir", afirma à Sputnik Brasil.

O ato não passou despercebido. Seja pelos turistas que, confusos, abordavam os participantes para entender do que se tratava, seja pelos apoiadores do candidato. A praça Luís de Camões, dias atrás, foi também palco de uma manifestação pró-Bolsonaro. Neste sábado, em pouco mais de 1 hora, pelo menos três reações individuais de simpatizantes do candidato foram abafadas sob vaias.

Portugal tem 39.118 brasileiros aptos a votar no próximo dia 7 de outubro, e 60% são mulheres. Para a estudante Gabriela Iturri, de 22 anos, as ideias propagadas por Bolsonaro não representam igualdade.

"Temos que ir contra tudo o que esse candidato está pregando no Brasil. Definitivamente as mudanças que precisam ser feitas não têm nada a ver com o que ele prega. Eu vejo em muitas entrevistas que o Bolsonaro sempre diz que é amado no Brasil, mas acho interessante que os brasileiros que estão fora do país, que tem uma visão externa e uma outra experiência de mundo, se manifestem e que isso mostre, para ele e para os estrangeiros, que nós somos contra e que ele não é adorado assim", defende a estudante.

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Tags:
protestos, política, EleNão, Eleições 2018, Partido Social Liberal (PSL), Jair Bolsonaro, Lisboa, Portugal, Brasil
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