02:23 25 Outubro 2021
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    O preço do urânio, o principal combustível das usinas nucleares, tem caído constantemente durante grande parte da última década, mas desde meados de agosto de 2021 que seu preço vem aumentando significativamente.

    Agora, surgem questões sobre o que poderá estar por trás desse aumento.

    O urânio, que custava cerca de US$ 30 (cerca de R$ 160) por libra em meados de agosto, agora vale cerca de US$ 49 dólares (R$ 261), de acordo com a Business Insider. Só no último mês, o valor deste elemento subiu em mais de 32%.

    O mercado de urânio

    O urânio é um elemento químico metálico utilizado na produção de energia nuclear e na fabricação de vários equipamentos médicos. Nas usinas nucleares, os contratos para a compra de urânio são geralmente assinados, aproximadamente, dois anos antes de sua utilização. A procura anual global é de 150 milhões de libras, informa a revista The Conversation.

    A maior parte da demanda por este elemento vem de cerca de 445 usinas nucleares operando em 32 países. Ao mesmo tempo, seu fornecimento está concentrado em apenas algumas minas ao redor do mundo. O Cazaquistão é de longe o maior produtor, com mais de 40% da produção mundial, seguido pela Austrália (13%) e Namíbia (11%).
    Trabalhador da Rosenergoatom entra na sala central da usina nuclear de Kola, na região de Murmansk (Rússia)
    © Sputnik / Pavel Lvov
    Trabalhador da Rosenergoatom entra na sala central da usina nuclear de Kola, na região de Murmansk (Rússia)

    "Como a maior parte do urânio extraído é utilizado como combustível para as usinas nucleares, seu valor intrínseco está diretamente ligado tanto à demanda atual quanto ao potencial futuro da indústria", explica a matéria.

    Entretanto, o mercado inclui não só os consumidores reais de urânio, mas também os especuladores, que compram a mercadoria quando descobrem que o preço é barato, uma ação que poderia aumentar seu valor.

    Por que está aumentando o interesse dos investidores?

    Muitos acreditam que a energia nuclear desempenhará um papel importante na transição global para fontes de energia limpa. Porém, um dos problemas com tal tecnologia seriam seus custos elevados, o que não a torna competitiva comparada com outras alternativas.

    No entanto, o aumento dos preços da energia observado nos últimos anos pode, gradualmente, tornar a opção nuclear em algo mais atrativo.

    Além disso, tecnologias nucleares inovadoras, tais como pequenos reatores modulares (SMRs, na sigla em inglês), atualmente fabricados em países como a China, os EUA, o Reino Unido e a Polônia, prometem reduzir os custos iniciais.

    Do mesmo jeito, tanto a Associação Nuclear Mundial (WNA, na sigla em inglês) como a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) têm demonstrado recentemente algum otimismo sobre a energia nuclear.

    Funcionário operando máquina para produção de pastilhas de urânio para reatores nucleares na usina de Ulba Metal, na cidade de Ust-Kamenogorsk, no leste do Cazaquistão, a 900 quilômetros da capital, Astana
    © AP Photo / Mikhail Metzel
    Funcionário operando máquina para produção de pastilhas de urânio para reatores nucleares na usina de Ulba Metal, na cidade de Ust-Kamenogorsk, no leste do Cazaquistão, a 900 quilômetros da capital, Astana
    Os investidores acreditam que o preço continuará subindo também devido a problemas de fornecimento, pois, graças aos valores anteriormente baixos, várias minas de urânio em todo o mundo suspenderam as operações por vários anos, segundo The Conversation.

    A crise da COVID-19, por sua vez, afetou ainda mais o processo de fornecimento do elemento. A produção mundial caiu 9,2% e, como o urânio não tem substituto direto e está relacionado à segurança nacional, vários países, incluindo a China, a Índia e os EUA, acumularam grandes estoques do metal, limitando ainda mais o fornecimento disponível.

    Qual será o futuro das usinas nucleares?

    O urânio tem um impacto significativamente menor no custo de produção de eletricidade durante a vida útil de uma usina elétrica do que outras fontes de energia.

    O gás ou a biomassa, por exemplo, representam 80% do custo da energia que produzem, enquanto que o urânio representa apenas 5% – isto é, um aumento no preço do urânio não atinge duramente a economia da energia nuclear.

    Resíduo nuclear, composto de urânio levemente enriquecido e resíduos, estocado na cidade de Clive, em Utah, nos Estados Unidos
    © AP Photo / Rick Bowmer
    Resíduo nuclear, composto de urânio levemente enriquecido e resíduos, estocado na cidade de Clive, em Utah, nos Estados Unidos
    De qualquer modo, existe o risco de que o mercado desta matéria-prima passe por alguma turbulência nos próximos meses, uma vez que a sobrevalorização inicial do urânio poderia causar uma maior volatilidade de preços no futuro, adverte a mídia.

    O mais provável é que surja uma espécie de bolha no mercado de urânio no futuro próximo, que poderia ser seguida por uma correção excessiva dos preços para valores mais baixos.

    No final, a ideia de que o mundo precisa de mais urânio é susceptível de incentivar o aumento da mineração e a liberação das reservas existentes para o mercado. Assim, como a diminuição da oferta exacerbou o efeito do aumento da demanda sobre o preço do urânio, o mesmo poderia acontecer na direção oposta quando houver mais oferta disponível deste elemento.

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    Tags:
    urânio, energia nuclear, usinas nucleares, subida, preços, indústria, mercado
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