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    A China está imersa no lançamento de uma bolsa de valores em Pequim, conforme declaração feita pelo presidente Xi Jinping no início deste mês. Dado que o país asiático já tem três bolsas, a pergunta lógica seria com quais objetivos o país asiático procura abrir uma nova.

    No gigante asiático há duas bolsas continentais – em Xangai e Shenzhen, e outra em Hong Kong.

    A bolsa de Xangai é maior e mais antiga da China e serve de plataforma principalmente para grandes companhias estatais. Na bolsa de Shenzhen são cotadas empresas de menor dimensão. A bolsa de Hong Kong, embora tenha registrada uma variedade de companhias chinesas, é objeto de regulamentação e legislação diferentes, uma vez que se trata de uma zona que goza de certa autonomia em relação ao continente.

    Em 2013, o governo lançou um sistema OTC em Pequim para a venda de ações de empresas de pequeno e médio porte não registradas nem em Xangai nem em Shenzhen. É justamente esta plataforma que servirá de base para a nova bolsa.

    'Desenvolvimento a longo prazo'

    A meta anunciada oficialmente pelo presidente Xi é apoiar o crescimento de pequenas e médias empresas "orientadas à inovação", que poderiam atrair investimentos colocando suas ações no mercado.

    "Isto é um exemplo claro da intenção de Pequim de que os mercados sirvam à economia real e especificamente a seus objetivos de desenvolvimento de longo prazo", comentou ao The Financial Times Rory Green, chefe de investigação da China na TS Lombard.

    'Entre as costas e a parede'

    O principal problema das empresas chinesas consiste no fato de que os reguladores norte-americanos estão cada vez mais exigindo maior transparência para aqueles que procuram abrir capital nas bolsas dos EUA.

    Em março, a Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC, na sigla em inglês) adotou a Lei de Responsabilidade de Empresas Estrangeiras, segundo a qual as firmas identificadas pela SEC precisam de uma auditoria por parte de um organismo de controle dos EUA e devem demonstrar que não são propriedade nem são controladas por uma entidade governamental em uma jurisdição estrangeira.

    Além disso, as companhias terão que indicar quais os membros do conselho de administração são funcionários do Partido Comunista da China, no caso de haver.

    Pessoas passam por um escritório da Administração do Ciberespaço da China (CAC) em Pequim, China, em 8 de julho de 2021
    © REUTERS / Thomas Peter
    Pessoas passam por um escritório da Administração do Ciberespaço da China (CAC) em Pequim, China, em 8 de julho de 2021

    Pequim, por sua vez, exige de suas empresas maior segurança de dados, impedindo que revelem informação aos reguladores norte-americanos. Assim, o país decidiu restringir a cotação de suas empresas em bolsas de valores estrangeiras, de tal forma que a partir de 10 de julho as entidades com um milhão de usuários ou mais devem ter a aprovação da Administração do Ciberespaço da China (CAC, na sigla em inglês) para cotação em mercados de títulos estrangeiros.

    Alguns especialistas creem que o estabelecimento de uma nova bolsa pressagia a indução ou coerção de grandes empresas cotadas no estrangeiro para voltarem à China continental.

    "Se grandes companhias ficarem desalistadas nos EUA e se registrarem na China, na bolsa de Xangai ou Shenzhen, a volatilidade causada por essas bolsas existentes será demasiada, enquanto isso não será um problema em uma nova bolsa", comentou o youtuber com foco em finanças Zhang Tianliang, informou o The Diplomat.

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    Tags:
    Pequim, China, bolsa de valores, economia
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