06:14 19 Junho 2021
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    Analistas do think tank britânico Instituto de Desenvolvimento Exterior (ODI, na sigla em inglês) dizem que "é provável" que o domínio de Pequim no campo de metais de terras raras "se corroa em curto prazo".

    Os especialistas do think tank correlacionam tal possibilidade às tentativas dos EUA e da União Europeia (UE) de buscarem independência das exportações chinesas devido às "crescentes tensões geopolíticas", informa o South China Morning Post.

    O estudo diz que o crescimento de indústrias de alta tecnologia com necessidades de manufaturas especializadas aumentaram a atenção global aos minerais de terras raras, avaliados em cerca de US$ 8 bilhões (cerca de R$ 51,2 bilhões). Este valor pode ser considerado "uma pequena parcela do comércio global de metais e minérios, mas é uma componente significativa das cadeias de valor da fabricação avançada", cita a matéria.

    Rebecca Nadin, diretora do Departamento de Riscos Globais e Resiliência do ODI, afirma que Pequim teria noção de que seu crescimento em inovação requer fontes de energia e minérios assegurados, incluindo terras raras e outros elementos essenciais para o desenvolvimento tecnológico.

    "Espero ver ainda mais ênfase na criação de reservas estratégicas de recursos minerais e na expansão de sua exploração, bem como um compromisso em participar no gerenciamento global dos recursos minerais", disse Nadin, citada pela mídia chinesa.

    A China tem se posicionado estrategicamente de modo a se tornar o ator dominante no campo de extração e processamento desses elementos, controlando até 36,7% das reservas mundiais de terras raras, de acordo com o estudo.

    Máquina de mineração trabalha na mina Bayan Obo, que contém minerais de terras raras, na Mongólia Interior, China, (foto de arquivo)
    © REUTERS / China Stringer Network
    Máquina de mineração trabalha na mina Bayan Obo, que contém minerais de terras raras, na Mongólia Interior, China (foto de arquivo)

    A China produziu 140 mil toneladas – equivalente a 58% da produção global – em 2020, conforme o Relatório Geológico dos EUA. Os EUA encontram-se em segundo lugar, com 15,8% da produção, sendo o terceiro pertencente a Mianmar, com 12,5% da produção.

    De igual modo, o gigante asiático detém 85% da capacidade de processamento de minérios de terras raras do mundo, sendo que até países onde a atividade mineira ocorre, incluindo os EUA, enviam seus materiais para a China para que sejam processados.

    Agora, um número crescente de companhias chinesas está buscando alternativas para exploração mineira, especialmente em Mianmar, na Austrália, nos EUA, no Burundi, na Groenlândia e em Madagascar.

    Da parte dos EUA, Washington disse recentemente que reconstruiria sua cadeia de suprimentos de metais raros para reduzir sua dependência da China. Assim, a mina de Mountain Pass, no estado da Califórnia, foi reaberta para voltar à produção de terras raras. Já a UE, por sua vez, identificou no ano passado cerca de 30 matérias-primas como críticas para suas indústrias, afirmando que o domínio da China no mercado "torna as cadeias de valor extremamente vulneráveis", refere o South China Morning Post.

    Jane Nakano, pesquisadora sênior do Programa de Segurança Energética e Mudança Climática do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, reiterou, em um estudo de março, que "os EUA parecem mais preocupados com a dependência da importação, que pode ser explorada geopoliticamente, enquanto que a UE e o Japão parecem principalmente preocupados com os efeitos das interrupções do fornecimento em sua competitividade industrial", citada na matéria.

    Contudo, também existem preocupações crescentes relativamente à natureza destrutiva da extração dos minérios em causa, considerando que o relatório em questão refere o custo avassalador com a descontaminação necessária da poluição causada por alguns dos centros de extração de minérios da China.

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    Tags:
    comércio mundial, metais de terras raras, UE, EUA, China
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