18:21 24 Setembro 2021
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    Os termos de empréstimos da China para países em desenvolvimento são secretos e exigem que os mutuários deem prioridade para o reembolso aos bancos estatais chineses na frente de outros credores, segundo o novo relatório baseado em contratos analisados.

    Pesquisadores do laboratório de pesquisa e inovação AidData da Faculdade de William e Mary, na Virgínia, do Centro de Desenvolvimento Global e do Instituto Peterson de Economia Internacional, ambos em Washington, e do Instituto Kiel alemão compararam os contratos chineses de empréstimo com os de outros grandes credores para realizar a primeira avaliação sistemática de termos legais de empréstimos ao exterior da China.

    Durante o estudo, os pesquisadores analisaram 100 contratos chineses de empréstimo com 24 países, coletados pelo AidData ao longo de três anos, segundo o comunicado de imprensa do AidData.

    A análise desvenda algumas características incomuns em acordos que ampliaram os instrumentos de contrato normais para aumentar a chance de reembolso, de acordo com o relatório dos pesquisadores.

    Os contratos chineses incluem cláusulas de confidencialidade que proíbem aos mutuários revelarem os termos do empréstimo, assim como acordos bilaterais informais que beneficiam credores chineses quando comparados a os outros mutuantes e promessas para manter a dívida fora de reestruturações coletivas, conforme diz o relatório.

    Além disso, os contratos de empréstimo chineses são flexíveis para deixar a China cancelar o crédito ou acelerar o reembolso quando quiser.

    Os resultados obtidos levantam questões sobre o papel da China como uma das maiores economias do G20, que acordou com um "quadro comum" criado para ajudar nações pobres a lidarem com a pressão financeira devido à COVID-19, permitindo revisão de dívidas, afirmou o coautor do relatório, Scott Morris.

    O quadro estabelecido solicita um tratamento comparável a todos os credores, incluindo credores privados, no entanto, a maioria dos contratos chineses proíbe a reestruturação de empréstimos em termos iguais e em coordenação com os outros mutuantes, destacou Morris.

    A China é o maior credor mundial, totalizando 65% de dívidas bilaterais no valor de milhares de bilhões de dólares na África, Leste Europeu, América Latina e Ásia.

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    Tags:
    China, empréstimo, relatório, pesquisa, banco, dívida, G20
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