14:27 27 Setembro 2021
Ouvir Rádio
    Economia
    URL curta
    0 32
    Nos siga no

    Os bancos de investimento dos EUA adotaram medidas para excluir da lista as ações chinesas e seus derivados relacionados.

    A Bolsa de Nova York (NYSE, na sigla em inglês) decidiu iniciar o processo de exclusão a partir de três empresas de telecomunicações chinesas, sendo elas a China Telecom, China Mobile e China Unicom.

    Assim, os bancos Goldman Sachs, Morgan Stanley e JPMorgan informaram que vão retirar da lista os derivados relacionados com as ações da China Telecom, China Mobile e China Unicom que são cotadas em Hong Kong.

    As preocupações dos investidores e empresas norte-americanas se devem ao fato de que durante décadas, as empresas chinesas arrecadaram mais de US$ 140 bilhões (cerca de R$ 768 bilhões) nas bolsas norte-americanas.

    Segundo os dados publicados pelo Escritório Estatal de Estatísticas da China, o investimento estrangeiro em tecnologia chinesa cresceu aproximadamente 27,8% apenas nos primeiros dez meses de 2020, e o investimento estrangeiro na pesquisa e desenvolvimento da China cresceram em torno de 82%.

    Xi Jinping, presidente da China, à direita, aperta a mão de Joe Biden, então vice-presidente dos EUA, no Grande Salão do Povo de Pequim
    © AP Photo / Lintao Zhang
    Xi Jinping, presidente da China, à direita, aperta a mão de Joe Biden, então vice-presidente dos EUA, no Grande Salão do Povo de Pequim

    De acordo com os cálculos da empresa analítica britânica Mergermarket, o investimento das empresas norte-americanas em fusões e aquisições na China cresceu 69% de janeiro a outubro de 2020, alcançando US$ 11,3 bilhões (aproximadamente R$ 62 bilhões).

    Aparentemente, os motivos políticos por trás das sanções dos EUA contra as empresas chinesas não têm nada a ver com os interesses comerciais do país. Ao mesmo tempo, é pouco provável que estas sanções tenham um efeito grave no mercado das finanças estruturadas de Hong Kong em seu conjunto, opinam os especialistas do holding financeiro HKEX, que opera o mercado de ações e de futuro em Hong Kong.

    De acordo com o especialista do Instituto de Economia da Universidade Popular da China, Huang Weiping, as atuais sanções por si só não provocariam muitos danos à economia de Hong Kong, e por consequência, a da China. Contudo, estabelecem um precedente perigoso.

    "Sabemos como se desenvolverá a situação durante a presidência de Joe Biden, então segue havendo uma insegurança. Porém, a julgar pelo comportamento dos principais atores do mercado, podemos concluir que esperam que a política de sanções continue, e que sob a administração de Biden os EUA se retirem do mercado de Hong Kong. Acredito que as estimativas do HKEX são perfeitamente justas e que não haverá muito impacto no mercado de Hong Kong após estas sanções", destacou o especialista à Sputnik.

    No entanto, este é um precedente perigoso, pois poderia começar a causar uma queda na confiança dos investidores em outros produtos estruturados oferecidos pelo mercado de Hong Kong, adicionou.

    Pequim, por sua vez, reagiu rapidamente com o Ministério do Comércio da China anunciando novas normas que protegem os interesses das empresas afetadas pelas sanções estrangeiras.

    Bandeiras da China e dos EUA
    © AP Photo / Andy Wong
    Bandeiras da China e dos EUA

    Os especialistas ressaltam que as empresas norte-americanas na China são as que podem estar em posição mais vulnerável, já que podem cair sob a pressão e as sanções das autoridades norte-americanas, bem como perderem o promissor mercado chinês.

    Apesar de enfrentar dificuldade, o Fundo Monetário Internacional (FMI) admitiu que a economia chinesa mostrará um crescimento mais rápido em comparação a outros países.

    O economista conclui afirmando que é a atração das perspectivas de desenvolvimento da China que faz com que os investidores de todo o mundo aumentem seus investimentos no país apesar dos obstáculos políticos.

    Mais:

    China rotula EUA de 'império de hackear' após ser acusada de querer 'espionar' no Pacífico
    Empresas da UE estariam 'furiosas' com EUA por serem tiradas do mercado chinês para o bem americano
    Enfatizando China e Rússia, EUA elaboram estratégia para manter superioridade no mar
    Tags:
    economia, sanções, guerra de sanções, sanções econômicas, guerra comercial, EUA, China
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar na SputnikComentar no Facebook
    • Comentar