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    Com economia chinesa crescendo, em comparação com o declínio da norte-americana, o fosso entre os dois países diminuirá mais rapidamente, afirma o analista chinês Bian Yongzu em entrevista à Sputnik.

    Quanto ao volume da economia, a China ultrapassará os EUA em 2028 ou em 2029. Esta previsão é feita pelo Centro de Pesquisas Econômicas do Japão (JCER, na sigla em inglês). Nota-se que no fim de 2020 só a China, de todos os grandes países, alcançará um crescimento econômico positivo. No longo prazo, a recuperação das economias dos outros países das consequências da pandemia da COVID-19 não será homogênea. Em particular, a pandemia permitirá à China alcançar, e a longo prazo eliminar, a diferença com os EUA.

    Economia chinesa ganha

    O estudo analítico do JCER considera o período temporal até o ano 2035, sugerindo dois cenários. O cenário básico considera o impacto direto da pandemia sobre a economia de 15 países da região Ásia-Pacífico. O cenário alargado verifica quais serão as consequências indiretas da pandemia para o desenvolvimento duradouro dos países, do comércio internacional e das inovações.

    Os autores do estudo apontam que, embora a pandemia tenha afetado praticamente todos os países no mundo, o nível do impacto negativo sobre suas economias vai se diferenciar significativamente, e estas diferenças no período de 15 anos vão influenciar significativamente as expectativas de desenvolvimento.

    Segundo o cenário básico, em 2020 a China será o único país do G20 cuja economia demonstrará uma dinâmica positiva. Na região em geral, o Vietnã também apresentará crescimento econômico, além da China. A economia da Índia sofrerá um declínio de mais de 10%, com as economias da Tailândia, Malásia e Singapura tendo decréscimo do PIB de mais de 6%. No entanto, os analistas preveem que em cinco anos as economias da maioria dos países conseguirão se recuperar das consequências da crise pandêmica, regressando a índices anteriores ao coronavírus.

    Yuan chinês
    © Fotolia / Kittiphan
    Yuan chinês

    Apesar de a China ter sido o primeiro país a enfrentar a pandemia do coronavírus, com queda recorde da economia em 6,8%, o país foi capaz de reativar rapidamente a atividade comercial, a produção industrial, o consumo nacional e, respectivamente, o crescimento econômico. Entretanto, os indicadores estão melhorando a cada mês. O índice PMI (Índice de Gerentes de Compras), que avalia a atividade comercial no setor da produção, atingiu na China o nível de 52,1% em novembro, sendo o mais alto desde 2017. Além do mais, a exportação chinesa aumentou em várias categorias, incluindo de produtos médicos e meios da proteção individual.

    Fatores que freiam PIB dos EUA

    Uma vez que a China mostra bons resultados de recuperação, as agências de classificação internacionais melhoram suas previsões sobre o estado da economia chinesa. Assim, a Fitch Ratings aumentou a projeção para o ano 2021 em 8%, apesar de ainda em setembro se esperar que no próximo ano a economia da China crescesse em 7,7%. Neste ano, segundo a agência, a China vai crescer em 2,3%.

    Segundo o cenário alargado do JCER, até 2035 a economia chinesa vai crescer em cada ano pelo menos em 3%, com o PIB dos EUA aumentando no mesmo período apenas em 1% no máximo.

    Assim, até 2028-2029 a China ultrapassará os EUA pelo volume de seu PIB. Além da crise provocada pelo coronavírus, os EUA estão enfrentando problemas estruturais dentro de sua economia. Existem muitos fatores de desaceleração os quais não deixam o PIB norte-americano crescer de modo normal.

    Com economia chinesa crescendo, em comparação com o declínio da norte-americana, o fosso entre os dois países diminuirá mais rapidamente, afirma Bian Yongzu, cientista convidado do Centro de Pesquisas de Estratégias e Segurança da Universidade Tsinghua (China), em entrevista à Sputnik China.

    "Considero que a economia americana possui muitos problemas estruturais próprios. Primeiramente, a economia dos EUA aposta no setor financeiro, enquanto o setor real não está se desenvolvendo tão bem. Embora o setor financeiro, claro, dê lucros grandes, ele não fornece um número suficiente de empregos", destacou o analista.

    Dragão Vermelho, o símbolo da China
    © AFP 2020 / TED ALJIBE
    Dragão Vermelho, o símbolo da China

    Devido a isso, a maioria dos americanos não têm rendimentos estáveis, com a desigualdade social aumentando, afirma o especialista. Além disso, há a influência da epidemia, que interrompeu as cadeias de suprimentos, especialmente no setor de serviços. A eficácia "medíocre" das medidas de contenção da pandemia também prejudica a economia americana, relembra Bian Yongzu.

    "Além do mais, a estrutura existente do sistema político dos EUA não satisfaz as necessidades de uma reação rápida à situação econômica. A eficácia da gestão da economia pelo Estado está em declínio, uma vez que não se consegue fazer correções atempadas da política econômica", detalhou o analista as razões da situação difícil que atravessa a economia americana.

    Ele também nomeou o crescimento do nacionalismo nos EUA como um fator agravante, porque este leva à ruptura das ligações comerciais dos Estados Unidos com outros países.

    Além do mais, ele falou sobre os fatores de longo prazo. "Antes, os EUA se baseavam em seu próprio potencial científico e técnico para assegurar um desenvolvimento econômico rápido. Mas agora, neste domínio surgiram outros jogadores", disse o analista, apontando à China e outros países que aumentam rapidamente suas competências. Porém, a política de nacionalismo norte-americana pode influenciar a economia do país ainda mais.

    Consumo interno como fator principal da recuperação econômica

    A China elegeu a estratégia da "circulação dupla", que se baseia na produção e consumo dentro do país, explica ele. Assim, com as condições econômicas externas se complicando, a China conseguirá obter maior independência dos fatores externos e estimular seu setor econômico real.

    Pessoas aplicam para visto norte-americano na Embaixada dos EUA em Pequim, China (foto de arquivo)
    © AP Photo / Ng Han Guan
    Pessoas aplicam para visto norte-americano na Embaixada dos EUA em Pequim, China (foto de arquivo)

    Segundo o ministro das Finanças chinês, a China planeja estimular estes indicadores com medidas de apoio fiscal, porque o consumo interno é visto como fator-chave da futura recuperação econômica chinesa.

    "Antes os EUA eram o maior mercado de consumo do mundo, mas no ano passado a diferença entre a China e os EUA diminuiu até o mínimo. Prevê-se que neste ano a China já ultrapassará os Estados Unidos, se tornando o maior mercado de consumo do mundo", considerou o analista, nomeando entre os fatores que desempenham um papel importante neste processo a rapidez de desenvolvimento do potencial científico e técnico.

    Segundo previsões do JCER, até 2023 o nível de vida na China crescerá significativamente, com o país entrando na liga dos países com rendimentos mais elevados. Mas no ano de 2035 o volume da economia chinesa vai ser superior ao dos EUA e Japão juntos.

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    Tags:
    desenvolvimento econômico, EUA, China
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