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    Neste fim de semana, líderes das 20 maiores economias do mundo se reúnem em videoconferência para debater a "coronacrise" e resultados da cooperação internacional para o combate à pandemia.

    Os líderes das 20 maiores economias do mundo estão reunidos em videoconferência neste fim de semana para debater os impactos da pandemia de COVID-19 na economia mundial.

    Neste sábado (21), o debate deve focar na cooperação internacional para combater a COVID-19. O acesso a vacinas por países de baixo desenvolvimento relativo deve estar no topo da agenda.

    Países com alto percentual de dívida externa em relação ao PIB estão em situação particularmente vulnerável frente à pandemia. Nesse sentido, a União Europeia deve propor aporte de US$ 4,5 bilhões (cerca de R$ 24 bilhões) pelos membros do grupo em um fundo de ajuda a regiões desprivilegiadas.

    Nesta sexta-feira (20), o secretário-geral da ONU, António Guterres, declarou que países de baixo desenvolvimento relativo estão "à beira do precipício da falência financeira, do aumento da pobreza, fome e de sofrimento incalculável".

    Secretário-geral da ONU, António Guterres, durante conferência na sede das Nações Unidas, em Nova York (EUA), 20 de novembro de 2020
    © REUTERS / Eduardo Munoz
    Secretário-geral da ONU, António Guterres, durante conferência na sede das Nações Unidas, em Nova York (EUA), 20 de novembro de 2020

    Para minimizar o impacto da recessão mundial sobre esses países, o G20 deve aprovar neste fim de semana um plano de moratória da dívida para países pobres até o fim do primeiro semestre de 2021.

    "Durante essa conferência temos a obrigação de enfrentar esse desafio e passar uma mensagem forte de esperança e garantia, ao adotar políticas conjuntas para mitigar essa crise", disse o rei saudita Salman bin Abdulaziz Al Saud durante seu discurso de abertura.

    A União Europeia adiantou que vai propor hoje (21) um tratado multilateral sobre combate a pandemias para preparar a comunidade internacional para o futuro.

    Em suas declarações iniciais, o presidente Jair Bolsonaro ressaltou que a "cooperação do G20 é essencial para superarmos a pandemia de COVID-19 e retomarmos o caminho da recuperação econômica".

    ​"Desde o início nós enfatizamos que era preciso cuidar da saúde e da economia simultaneamente. Os tempos vêm provando que estávamos certos", disse o presidente brasileiro em vídeo.

    Presidência da Arábia Saudita

    Neste sábado (21), o ministro do Investimento da Arábia Saudita, Khalid Al-Falih, apresentou os resultados dos trabalhos do G20, presidido neste ano pelo reino.

    "O ano de 2020 não foi fácil para o reino presidir o G20. Tensões comerciais e geopolíticas estavam em alta, economias em retração e todos esperando uma recessão duradoura", disse Al-Falih.

    Nesse sentido, a "presidência do G20 foi chamada a fazer algo que nunca havia sido feito: coordenar a resposta para uma pandemia", lembrou o ministro. "Estou feliz por dizer que a Arábia Saudita conseguiu lidar com esse desafio."

    Segundo o ministro, membros do G20 alocaram US$ 20 bilhões para apoio a sistemas de saúde a nível mundial e para o desenvolvimento de vacinas.

    Foto de família dos líderes do G20 feita com uso de montagem digital pela presidência saudita do grupo
    © Foto / Meshari Alharbi
    Foto de família dos líderes do G20 feita com uso de montagem digital pela presidência saudita do grupo

    A questão da moratória temporária para a dívida de países de baixo desenvolvimento relativo também foi prioridade na presidência saudita.

    "Registramos mais de US$ 14 bilhões em suspensão de dívidas, que auxiliaram 73 países a superar as dificuldades econômicas agravadas pela crise da COVID-19", disse o ministro.

    Os países desenvolvidos, por sua vez, liberaram recursos "sem precedentes e impensáveis em anos anteriores, totalizando US$ 11 trilhões em estímulos fiscais e econômicos".

    "Os prognósticos [no início do ano] previam que voltaríamos a uma recessão como a de 1929 e à idade da pedra", disse Al-Falih. "Mas, apesar da pandemia não ter acabado, vemos que a desaceleração foi menor do que a esperada."

    Segundo o ministro, "os mercados de capitais estão saudáveis e com bastante liquidez", garantindo acesso a "financiamento e crédito para as pessoas".

    Sauditas observam a foto de família digital dos líderes do G20, projetada no palácio de Salwa, em Diriyah, Arábia Saudita, 20 de novembro de 2020
    © REUTERS / Nael Shyoukhi
    Sauditas observam a foto de família digital dos líderes do G20, projetada no palácio de Salwa, em Diriyah, Arábia Saudita, 20 de novembro de 2020

    "O prognóstico de redução econômica mundial do FMI [publicado em novembro] é 2% mais otimista do que o publicado no início do ano. Isso também é resultado dos esforços multilaterais que coordenamos durante a presidência do G20", concluiu o ministro.

    O Fundo Monetário Internacional preparou relatório para os líderes do G20, no qual aponta que a recuperação econômica mundial perde impulso com a detecção da segunda onda de COVID-19 em países da Europa e América do Norte.

    "Os líderes do G20 se reuniram pela primeira vez há 12 anos, em resposta à crise financeira [de 2008]. Os desdobramentos positivos são a prova de que o G20 é a plataforma ideal para enfrentamos crises econômicas mundiais", concluiu o rei saudita.

    Os líderes do G20 devem se reunir neste sábado (21) e no domingo (22) em formato de videoconferência sob presidência da Arábia Saudita. O presidente Jair Bolsonaro deve participar do encontro acompanhado de seu ministro da Economia, Paulo Guedes.

    Ao final do ano, a Arábia Saudita deve passar a presidência do bloco para a Itália, que adotou o lema "Pessoas, Planeta e Prosperidade".

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    Tags:
    Jair Bolsonaro, COVID-19, pandemia, economia, G20, Arábia Saudita
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