12:40 02 Dezembro 2020
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    Os iranianos têm um plano B para melhorar qualidade de vida em meio a uma série de problemas econômicos.

    A marca "Made in Iran" surgiu como um frágil raio de esperança em meio às tentativas dos EUA de fragilizar a economia iraniana do ponto de vista financeiro e afastá-la do comércio global. Esta difícil situação econômica, exacerbada pela pandemia da COVID-19 e uma série de problemas internos, não conseguiu acabar com a determinação dos iranianos.

    Sempre existe um plano B

    Os empresários de marcas nacionais como Koi, Zi Shampoo e Bonmano Cofre tomaram a dianteira para preencher com seus produtos o vazio que se formou no mercado após a retirada dos bens importados.

    Por exemplo, a Koi produz tecidos em uma fábrica têxtil situada na cidade de Khoy e assim evita a necessidade de importar materiais do exterior. Além da ausência no Irã de competidores reconhecidos a nível global, esta empresa se aproveita também do baixo custo da mão-de-obra local, o que permite manter preços acessíveis e contar com margens de lucro saudáveis, destacou à Bloomberg a cofundadora Armita Ghasabi.

    Segundo a agência, por cada par de calças jeans de US$ 18 (R$ 101,60), a empresa ganha o equivalente a US$ 11 (R$62), que são reinvestidos em novas linhas de produtos.

    "Sabíamos que isto funcionaria porque nós, e muita gente ao nosso redor, estávamos desesperados por coisas básicas e simples", salientou Ghasabi.

    Por sua vez, Ali Sabor, diretor de comunicações da Basalam.com, destacou que nos últimos anos cada vez mais pessoas passaram a fundar pequenas empresas para vender mercadorias que podem produzir elas mesmas.

    Seu site, especializado em colocar em contato compradores e produtores, registrou um número exponencial de visitas desde 2019.

    Entre março e setembro de 2020, o Ministério da Indústria, Minas e Comércio do Irã concedeu 18.766 permissões para colocar em marcha novas unidades de produção no país, o que representa um aumento de 47% em comparação com o ano anterior. A maior parte dessas autorizações dizem respeito à produção de alimentos, segundo o portal Middle East North Africa Financial Network.

    Uma apoiante do presidente iraniano Hassan Rohani em Teerã
    © REUTERS / Yalda Moayeri
    Uma apoiante do presidente iraniano Hassan Rohani em Teerã

    Aproximadamente 670 fábricas que estavam inativas em todo país reativaram seus negócios desde o começo de 2020, comunicou o chefe da Organização de Pequenas Indústrias e Parques Industriais do Irã (ISIPO, na sigla em inglês), Mohsen Salehinia.

    Como os EUA castigam a população comum

    Esta situação ocorre devido à política pouco amistosa que os EUA aplicam em relação ao Irã desde a chegada de Donald Trump, mandatário norte-americano, à Casa Branca. O acordo nuclear alcançado em 2015 prometia ajudar a nação persa a voltar à arena internacional.

    Contudo, o atual presidente dos EUA fez todo o possível para que isso não ocorresse. O político republicano não se limitou a abandonar este acordo internacional, mas também passou a atacar a economia do Irã.

    As lojas de roupa foram as primeiras a desaparecer nas ruas de Teerã depois da imposição de novas sanções em 2018. Os populares centros comerciais, que durante anos abrigaram as marcas Zara, Adidas e Benetton, agora estão vazios.

    A retirada das marcas estrangeiras se somou a uma brusca depreciação da moeda local, o rial, que representou outro golpe no poder aquisitivo dos consumidores iranianos. As importações foram reduzidas consideravelmente, provocando uma escassez de bens de consumo e higiene pessoal, que agora são vendidos a preços elevados.

    Nazanin, coproprietária de uma pequena empresa de publicidade em Teerã, conhece a situação na própria pele: começou a comprar a marca iraniana Zi, porque já não podia se permitir marcas ocidentais.

    Governo apoia esta tendência

    Durante anos, o Irã se orgulhou de sua capacidade de resistir aos ataques do Ocidente, algo que seu líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, tratou de ampliar e consagrar em sua doutrina política, escreve a agência.

    As autoridades iranianas instaram os funcionários locais a ampliarem o setor privado e exportarem aos países vizinhos. No entanto, as maiores indústrias de manufatura do Irã, como os fabricantes de automóveis, seguem sendo muito sensíveis às sanções.

    Moradores de Teerã fazem compras em mercado da capital do Irã em meio à pandemia do coronavírus
    © AP Photo / Vahid Salemi
    Moradores de Teerã fazem compras em mercado da capital do Irã em meio à pandemia do coronavírus

    Apesar da economia do país ter se retraído em 12% desde 2018, um grande número de empresas menores observa um panorama muito melhor.

    "Apesar de todas as limitações, atualmente estamos testemunhando um aumento da produção em algumas unidades, por exemplo, no campo dos eletrodomésticos [...]", enfatizou Salehinia.

    O funcionário iraniano agregou que as autoridades do país planejam aplicar a mesma estratégia, batizada como Aumento da Produção, em outros setores da indústria no fim de 2020, uma vez que se consiga solucionar uma série de problemas.

    Por sua parte, o Ministério da Energia do Irã firmou com a ISIPO um memorando de entendimento para conseguir uma maior cooperação entre pequenas e médias empresas nas áreas de capacitação, pesquisa e tecnologia.

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    Tags:
    produção, Estados Unidos, sanções, economia, pandemia, COVID-19, Irã
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