14:25 02 Julho 2020
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    Refinarias estatais de petróleo da China estão discutindo a formação de um grupo para atuar conjuntamente no mercado petrolífero mundial para benefício comum.

    O projeto, apoiado pelo governo chinês, visa a concertação do preço, aumentando a capacidade negocial na compra e evitando guerras de licitação.

    Grupo de intervenção no mercado

    Segundo a Bloomberg, baseada em fonte anônimas familiarizadas com a iniciativa, executivos sêniores das gigantes chinesas Petroleum & Chemical Corp., PetroChina Co., Cnooc Ltd. e Sinochem Group Co., que são as maiores importadoras do país, estão em conversações avançadas, já em fase final de discussão dos detalhes do plano.

    Este grupo representa refinarias que importam mais de cinco milhões de barris de petróleo por dia, quase um quinto da produção total da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP).

    Caso o acordo avance, o grupo pode se tornar o maior comprador de petróleo bruto do mundo. A iniciativa, que já havia sido equacionada em 2019, avança agora definitivamente em meio à pandemia, que originou cortes históricos na produção da OPEP e de seus aliados para retomar o controle do mercado.

    Economia cresce junto com preço do petróleo

    Epicentro original da pandemia, a China foi a primeira grande economia a reabrir e seu consumo de combustíveis fósseis está voltando aos níveis de pré-vírus.

    O aumento da demanda tem levado as refinarias estatais e privadas chinesas a recorrer sobretudo a importações de petróleo russo e brasileiro, no mercado à vista, elevando os preços.

    Por essa razão, continua a Bloomberg, o grupo em formação poderia acabar lançando ofertas coletivas sobre certas variedades de petróleo russo e africano.

    Refinarias em Boxing, província de Shandong, China, 10 de maio de 2016
    © REUTERS / Meng Meng
    Refinarias em Boxing, província de Shandong, China, 10 de maio de 2016

    O referido grupo de refinarias estatais pretende já em julho licitar conjuntamente petróleo russo em modo experimental.

    O grupo não exclui a possibilidade de mais tarde se expandir para incluir várias refinarias chinesas independentes, incluindo as de Shandong, segundo a Bloomberg.

    Influenciar mercado e preço

    Ao se unir, o grupo chinês espera ter uma voz mais ativa e maior influência nos volumes e preços do petróleo bruto a adquirir, se beneficiando do fato de vir desempenhando – à medida que sua economia cresce – um papel cada vez maior no mercado asiático e internacional de petróleo.

    Com esta concertação de esforços, os titãs das refinarias chinesas creem que deixariam de estar tanto à mercê dos humores, flutuações e imposições do mercado.

    Várias megarefinarias foram abertas nos últimos anos, comprando a China petróleo em todo o mundo, do Brasil à Rússia, passando por Emirados e Iraque, sendo a Arábia Saudita a sua maior e tradicional fornecedora.

    Se for bem-sucedido, o grupo será a mais recente iniciativa de compras conjuntas no setor de commodities da China.

    Em 2003, as principais fundições de cobre, como Jiangxi Copper e Tongling Nonferrous Metals Group Co., formaram uma equipe de compra de concentrado de cobre de fornecedores estrangeiros para as fábricas associadas, relembra a Bloomberg.

    O grupo é atualmente formado por mais de 10 fundições de todo o país e responde por cerca de 80% das importações chinesas de concentrado de cobre.

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    Tags:
    Brasil, Rússia, petróleo, China
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