14:54 12 Agosto 2020
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    Economia
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    Os EUA estão em recessão desde fevereiro, a primeira em 13 anos. A queda da produção e o crescimento catastrófico do desemprego levam analistas a alertar que poderá ser pior que a crise de 2007-2009.

    Já no final de março, as maiores instituições financeiras do país – o Bank of America, Goldman Sachs e Morgan Stanley – tinham relatado uma queda dos índices econômicos.

    O Bank of America previu inclusive que as consequências da crise do coronavírus seriam muito graves, e especialistas previram um recuo do PIB no segundo trimestre de até 40%.

    Previsão da Reserva Federal é pessimista

    A previsão de junho feita pela Reserva Federal (FED) foi ainda mais pessimista. De acordo com os seus cálculos, o PIB poderia cair 52,8% no segundo trimestre.

    O Escritório Nacional de Pesquisas Econômicas (NBER, na sigla em inglês), instituição que monitora os ciclos econômicos do país, admitiu oficialmente que, não obstante o maior período de crescimento de sempre da história, a economia norte-americana entrou em recessão.

    "O colapso sem precedentes no emprego e na produção, que afetou todos os setores, aponta para um período de recessão, mesmo que venha a ser mais curto do que as recessões econômicas anteriores", referiu o NBER.

    Analistas chamam a atenção para o fato de, se durante a crise de 2007-2009 a contração da economia somente foi constatada um ano depois, o presente cenário é diferente, pois a sua velocidade e profundidade é catastrófica, como nunca tinha acontecido.

    De acordo com dados oficiais, no primeiro trimestre o PIB dos EUA recuou 4,8% em expressão anual, tudo apontando para que, de abril a junho, esta porcentagem seja ainda maior.

    Desemprego crescente

    A taxa de desemprego – que tinha atingido historicamente em fevereiro seu nível mínimo de 3,5% - pulou para 14,7% em abril, tendo 20,5 milhões de pessoas ficado sem trabalho.

    No total, desde o início da epidemia do novo coronavírus, mais de 44 milhões de norte-americanos já se candidataram a subsídios de desemprego.

    A administração Trump mostra-se otimista neste capítulo, levando o presidente dos EUA a garantir que os empregos brevemente serão recuperados.

    Em 14 de junho, o chefe do escritório do FED em Dallas (Texas), Robert Kaplan, previu que até o final do ano, o desemprego cairia para 8%, segundo noticiou The Wall Street Journal.

    Recuperação será demorada

    Especialistas não concordam com esta avaliação. "É muito assustador", afirmou ao Washington Post Lindsey Piegza, economista-chefe da Stifel Fixed Income, para quem "muitos empregos não conseguirão se recuperar, e mesmo em 2021 o desemprego será de cerca de 10%".

    Já para os analistas da Moody's, "serão necessários anos para que o mercado de trabalho se restabeleça dos choques. Há motivos para acreditar que alguns empregos possam se recuperar à medida que a economia retome, mas não há garantias".

    Segundo a Bloomberg, o alto desemprego nos EUA será um fenômeno de longo prazo, correndo mesmo o risco de se tornar permanente, dado haver um choque de redistribuição devido à pandemia.

    Se em alguns setores, embora com atraso, vão surgindo empregos, em outros estão sumindo rapidamente, não sendo as novas vagas suficientes para suprir aquelas que desaparecem, concluíram os especialistas da Bloomberg.

    De acordo com a previsão do FED, o PIB cairá 6,5% em 2020 e, em um cenário otimista, a recuperação econômica começará no segundo semestre do ano e se estenderá por vários anos.

    Outros analistas preveem que só em outubro de 2022 se atingirão de novo os índices de fevereiro. O Escritório de Orçamento do Congresso é ainda mais pessimista, estimando que seja necessário uma década inteira.

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    Tags:
    dólar, PIB, crise econômica, economia, EUA
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