11:18 14 Agosto 2020
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    A alta do dólar será mais um problema para as economias emergentes, que já devem lidar com os desafios sem precedentes colocados pela COVID-19.

    Investidores estão deixando os mercados emergentes e colocando todos os seus recursos na moeda norte-americana, considerada o ativo mais seguro do mercado de moedas. Nem mesmo o corte na taxa de juros anunciado nesta semana pelo Tesouro dos EUA reduziu a demanda pelo dólar.

    Para os mercados emergentes, a alta da moeda norte-americana representa um aumento nas suas dívidas contraídas em dólar.

    O dilema dos bancos centrais de países emergentes é que medidas de estímulo à economia, como o corte da taxa de juros, pode desestabilizar ainda mais as suas moedas, reportou a Bloomberg.

    "A alta do dólar é mais um golpe nos mercados emergentes", disse Mitul Kotecha, estrategista da TD Securities, em Singapura. "A demanda pelo dólar superou qualquer problema que a moeda poderia enfrentar após o Tesouro [dos EUA] realizar corte significativo na taxa de juros."

    O Banco Central da Turquia anunciou corte nas suas taxas de juros, seguindo o exemplo de outros mercados emergentes, como Coreia do Sul, Chile e Vietnã.

    O Brasil deve cortar as suas taxas de juros nesta quarta-feira (18). Na segunda-feira (16), uma reunião emergencial do conselho monetário liberou R$ 56 bilhões para fornecer liquidez aos bancos.

    Paulo Guedes em coletiva de imprensa sobre o coronavírus.
    © REUTERS / Adriano Machado
    Paulo Guedes em coletiva de imprensa sobre o coronavírus.

    Após as medidas, o real reagiu e deu sinais de valorização, mas acabou sofrendo queda acentuada. Desde o dia 9 de março, as transações na Bovespa já foram interrompidas cinco vezes pelo circuit breaker.

    Alta do dólar e recessão              

    Estudo publicado pelo Banco de Compensações Internacionais mostra que, desde a crise de 2008, altas inesperadas no valor do dólar levam à depressão nos fluxos comerciais globais.

    Uma das possíveis razões pela queda seria a dificuldade de países emergentes acessarem crédito, acredita o estudo.

    A fuga de recursos dos países emergentes já atingiu níveis recordes, registrando US$ 30 bilhões (cerca de R$ 153 bilhões) em 45 dias, em meio à propagação do coronavírus, de acordo com o Instituto de Finanças Internacionais.

    Analistas observam gráficos na bolsa de valores de São Paulo Bovespa
    © AP Photo / Andre Penner
    Analistas observam gráficos na bolsa de valores de São Paulo Bovespa

    Para reduzir os danos da tendência de alta do dólar, bancos centrais devem coordenar suas opções de política monetária. No domingo (15), o Tesouro dos EUA coordenou o corte nas suas taxas de juros com outros cinco bancos centrais, emulando medidas tomadas para mitigar os efeitos da crise financeira de 2008.

    Nesta quarta-feira (18), o dólar abriu o pregão em alta, negociado acima da marca de R$ 5, em mais um dia de altas históricas. Os investidores e o mercado aguardam o anúncio do corte de juros, que deverá ser divulgado nesta quarta-feira (18), às 18h do horário de Brasília.

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    Tags:
    novo coronavírus, países emergentes, mercados, alta, Dólar
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