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Retirada do Brasil da lista de países em desenvolvimento pelos EUA: boa ou ruim?

© AP Photo / Julio CortezBandeiras do Brasil e dos EUA
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Retirada do Brasil da lista dos países em desenvolvimento pelo Departamento de Comércio dos EUA é uma "perda" com "impacto nas exportações", disse à Sputnik Brasil o economista Luiz Carlos Prado.

Na segunda-feira (10), o órgão norte-americano divulgou nota anunciando que 23 países estavam deixando sua lista de países em desenvolvimento, o que pode diminuir benefícios comerciais dessas nações, como, por exemplo, vantagens tarifárias no comércio internacional.  

Além do Brasil, estão no grupo China, África do Sul, Índia, entre outros. A medida também aumenta o poder de investigação do governo dos EUA sobre políticas de subsídios a exportações adotada por outros países – o que poderia levar Washington a adotar punições contra a prática.

Segundo Prado, que é professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a medida faz parte de uma "política nacionalista" do presidente estadunidense, Donald Trump. 

Boa relação com os EUA 'não fez diferença'

"Os Estados Unidos concediam para países em desenvolvimento a possibilidade de exportar determinados produtos em condições mais favoráveis, ou seja, com tratamento preferencial. Trata-se, portanto, da retirada desses benefícios para países que os Estados Unidos passaram a considerar que têm um grau avançado de desenvolvimento", explicou Prado. 

Segundo o especialista, a "alegada boa relação do governo brasileiro com os Estados Unidos, na prática, não fez nenhuma diferença". Ele critica a postura do governo brasileiro em relação ao tema.

"O problema não é a ação dos Estados Unidos, que não é especificamente contra o Brasil. O problema é que não há nenhum movimento do governo de defesa dos interesses do Brasil nas relações bilaterais com os Estados Unidos ou outros países. É como se a expansão do comércio internacional não tivesse a menor relevância para o governo", afirmou o economista.

'País nenhum abre mão de vantagens econômicas'

Durante a visita do presidente Jair Bolsonaro a Washington em março de 2019, Trump declarou que para poder entrar na OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), o Brasil teria que abrir mão das preferências na Organização Mundial do Comércio (OMC). O governo brasileiro vem lutando para ingressar na entidade.

Para Luiz Carlos Prado, "país nenhum abre mão de vantagem nas relações econômicas internacionais". 

"Embora você tenha o discurso de que o governo brasileiro é nacionalista, esse é o governo menos nacionalista desde pelo menos a década de 50. Desde o pós-guerra nunca houve um governo com uma postura de tão pouca defesa dos interesses brasileiros na esfera internacional", criticou.

Retirada foi 'natural'

No entanto, para o economista Raul Velloso, a retirada do Brasil da lista dos países em desenvolvimento era algo "natural", quase uma "obrigação". 

"Minha impressão é de que seria inevitável. Ao adquirir certo patamar de reconhecimento, ao cogitar entrar na OCDE, temos de entender que isso contém junto a necessidade de atualizar nosso posicionamento. Não há como evoluir em uma classificação e nas demais algo parecido não acontecer", disse o secretário de Assuntos Econômicos do Ministério do Planejamento durante o governo José Sarney.

'Progressão de posicionamento'

Segundo ele, ao pleitear o ingresso em entidades internacionais como a OCDE, é preciso "assumir as vantagens e responsabilidades que vêm naturalmente em conjunto com uma espécie de progressão de posicionamento".

"Temos que evoluir para cima em tudo, e encarar isso como certa obrigação de nos posicionar dentro dos padrões aceitáveis do mundo em que nós vivemos, em um mundo em que estamos mais integrados, mundo dos países que professam certas crenças e agem muito próximo de um modelo de economia mais aceitável", argumentou.

Brasil era visto como país 'inferior'

Segundo Velloso, os benefícios que o Brasil tinha por estar na lista dos países em desenvolvimento se perdiam no momento em que o país era visto como uma nação "inferior".

"Se havia vantagens isso ocorria ao mesmo tempo em que havia uma avaliação subjetiva de que países como o nosso eram inferiores. Agora estamos pagando um preço, que não me parece ser tão relevante assim, para ser visto de uma maneira mais qualificada e relevante no cenário mundial", afirmou Raul Velloso.
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