17:06 30 Outubro 2020
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    Empresários e políticos das Ilhas Malvinas tentam manter o otimismo em relação ao impacto que o Brexit terá na economia local. De qualquer forma, já imaginam um cenário sem o financiamento europeu ou programa de pesquisas.

    A entrada em vigência do Brexit não só gera expectativas no Reino Unido, onde os cidadãos e empresas aguardam como a saída da União Europeia afetará seus negócios e status legal. A mesma preocupação é sentida nas Ilhas Malvinas, cuja economia se beneficia da presença no bloco europeu para o comércio de lã, carne e fundos para investigações científicas.

    Uma reportagem do jornal local Penguin News relata a preocupação de políticos e empresários das ilhas sul-americanas. Ainda que reconheçam ser necessário aguardar para compreender os efeitos práticos da decisão britânica, temem por perder as vantagens econômicas existentes por fazer parte da União Europeia.

    O parlamentar malvinense Michael Poole afirmou ao jornal que esta etapa está marcada pela incerteza e salientou que a chave do debate deve ser "o acesso [aos mercados] e às tarifas".

    Atualmente, o plano das autoridades das Malvinas é realizar reuniões com os principais empresários das ilhas para definir as maiores fontes de preocupações. Uma vez definida uma plataforma, enviarão uma carta ao secretário de Estado de Assuntos Exteriores e da Comunidade Britânica, Hugo Swire.

    Como Malvinas será afetada economicamente pelo Brexit?

    A incerteza que reina nas Ilhas Malvinas faz com que entre seus empresários haja um conjunto de emoções que vão, segundo o jornal local, da incerteza ao otimismo.

    Por exemplo, Robert Hall, da empresa Falkland Wool Growers, acredita que a situação se normalizará conforme o tempo passe. Além disso, estimou que os países europeus não deixarão de comprar lã importada e, como a importação de lã crua não deve pagar tarifas, não haverá mudanças significativas.

    John Ferguson, da Falkland Islands Meat Company, empresa produtora de carne, argumentou que a produção local se beneficia do status de território ultramarino para não pagar taxas de importação na Unirão Europeia. Portanto, considerou que a saída do bloco europeu "terá impacto ao menos que se negocie a continuidade desse status".

    Enquanto isso, o setor de pesca se mostra mais confiante, esclarecendo que hoje em dia o mercado europeu é "marginal" nas vendas. Ainda assim, os pescadores das ilhas respaldam as ações que o governo das Malvinas deverá levar adiante.

    Consultado pelo Penguin News, o representante da Junta de Turismo das ilhas, Tony Mason, afirmou que o setor turístico não será afetado, já que tanto os europeus como britânicos continuarão não precisando de visto para visitar as ilhas.

    Brexit (imagem ilustrativa)
    © CC0
    Brexit (imagem ilustrativa)

    Mason adiantou que provavelmente as ilhas começarão a se promover como destino para novos mercados, atraindo turistas da América do Norte e Austrália.

    O Instituto de Pesquisa Ambiental do Atlântico Sul (SAERI, na sigla em inglês), que funciona na capital das Malvinas, porto Stanley, mas recebe grande parte do seu financiamento da União Europeia, poderia ser o mais afetado pela saída da UE. Segundo seus responsáveis, o Brexit forçaria o instituto a buscar formas de financiamento alternativas.

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    Tags:
    economia, Reino Unido, Ilhas Malvinas, brexit
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