22:44 28 Fevereiro 2020
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    A parceria que o Brasil está buscando com a Índia pode ser uma boa alternativa para as dificuldades enfrentadas com o Mercosul, segundo o economista Agostinho Celso Pascalicchio.

    O presidente Jair Bolsonaro chegou nesta sexta-feira (24) em Nova Déli, onde se encontrará com autoridades locais, entre elas o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi.

    Entre as missões da delegação brasileira estão diminuir as taxas de importação cobradas pela Índia aos produtos aviários do Brasil, que podem chegar a 100%, e que o país asiático aumente o uso do etanol brasileiro (que tem a cana-de-açúcar como matéria-prima) em sua mistura com a gasolina.

    "Essa aproximação, principalmente na área do agronegócio, é uma alternativa aos parceiros do Mercosul. Nesse momento em que a situação de alguns países do bloco está derrapando, fazer uma parceria com a Índia vem num momento extremamente oportuno", disse à Sputnik Brasil o especialista em economia agrícola e professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo.

    Hoje, a porcentagem de etanol usado na mistura do combustível na Índia fica em torno de 7 a 8%, mas, segundo Pascalicchio, a perspectiva é de que esse índice chegue a 25%, mesma proporção usado na Brasil, a partir de 2030.

    Para o mercado brasileiro, significaria mais exportação. Para a Índia, aumentar o uso de energia limpa, diminuindo a poluição.

    O economista explica também que buscar "fontes alternativas de energia é uma tendência mundial", que pode diminuir a dependência aos combustíveis fósseis e minimizar a exposição à variação do mercado de petróleo.

    'Classe média de 360 milhões'

    Em relação aos produtos aviários, Pascalicchio frisa que fortalecer os laços com a Índia é abrir as portas para um mercado consumidor gigantesco.

    "A índia é um pais que necessita muito de alimentos, tem uma classe média em expansão, que hoje estimamos superior a 360 milhões de habitantes. Considerando a população brasileira de 210 milhões de pessoas, é possível dimensionar como a Índia representa um potencial consumidor enorme", afirmou o economista e engenheiro.

    O especialista ressalta ainda que o Brasil tem capacidade e tecnologia para "prover não apenas de álcool, mas também de açúcar e de outros produtos o imenso mercado que é a índia".

    Número de acordos ainda 'tímido'

    O governo anunciou que assinará 12 acordos comerciais e de investimento com a Índia. Para Pascalicchio, um número ainda "tímido" diante do potencial e da "proximidade" entre as duas nações. Para o economista, as áreas de tecnologia, indústria e serviços podem render boas parcerias.

    O professor lembrou também que Brasil e Índia fazem parte dos BRICS, grupo que ainda abrange China, Rússia e África do Sul. E afasta uma possível insatisfação de Pequim com a aproximação dos dois parceiros.

    BIC - Brasil, Índia e China

    Segundo ele, a tendência é de que os três países busquem soluções conjuntas para se desenvolver e resolver seus problemas. Pascalicchio fala inclusive na formação de uma espécie de subgrupo chamado BIC (Brasil, Índia e China).

    "São três países que estão buscando integração e parcerias na área de tecnologia, saúde, educação e energia. O BIC, sem dúvida, pode ser uma alternativa de integração importante dada a magnitude dos três países", opinou.
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