14:05 18 Janeiro 2020
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    Relatórios recentes sugerem que trilhões de dólares de valor de mercado poderiam virar fumaça devido às mudanças climáticas e que classes de ativos inteiras poderiam ser prejudicadas à medida que a "temperatura esquenta".

    De acordo com a empresa de risco e resseguro Aon, os anos de 2017 e 2018 foram os mais caros em perdas econômicas relacionadas a danos físicos causados por desastres naturais, que ocorrem cada vez mais frequentemente.

    O perigo se agrava ainda mais quando tais danos físicos começam a revalorizar porções de classes inteiras de ativos. Um exemplo gritante é o mercado imobiliário ao longo da costa, que sofrerá uma alteração dramática à medida que a ameaça se torna maior.

    Isso acontece através de uma variedade de mecanismos: as pessoas se afastam, os pedidos de zoneamento restringem a construção, as companhias de seguros retiram apoio, os investidores removem capital, e por aí adiante.

    Segundo um relatório do Centro para o Progresso Americano (CAP), se o nível do mar subir 2 metros até 2100, um valor estimado de US$ 900 bilhões (R$ 3,6 trilhões) em casas nos EUA "ficaria literalmente – e por sua vez financeiramente – debaixo d'água".

    O resultado final é que o setor passa a valer uma fração do que já valeu – sendo este apenas um aspecto das mudanças climáticas que afeta apenas um setor em particular.

    Impactos das mudanças climáticas

    O estreitamento das políticas climáticas irá eliminar US$ 2,3 trilhões (R$ 9,3 trilhões) em valor de uma série de empresas de combustíveis fósseis, sugere um recente relatório do grupo internacional de investidores Princípios para Investimento Responsável (PRI).

    Conforme os impactos das mudanças climáticas se agravam, a probabilidade de uma reação a essa política cresce de forma equivalente. O mundo poderá aquecer quase 3 graus Celsius até o final do século, o dobro da taxa que os cientistas e os governos estão buscando.

    "É altamente improvável que os governos sejam autorizados a deixar o mundo escorregar até 2,7 graus Celsius sem serem obrigados a agir de forma forçada mais depressa", escreveu Fiona Reynolds, CEO do PRI.

    O setor dos combustíveis fósseis poderia perder um terço do seu valor atual, uma vez que as reservas de alto custo de carvão, petróleo e gás se tornariam ativos irrecuperáveis, informa PRI. Segundo o historiador Adam Tooze, há entre US$ 1 e 4 trilhões (R$ 4 e 16 trilhões) em ativos energéticos que poderiam ficar retidos, e US$ 20 trilhões (R$ 81 trilhões) no setor industrial mais amplo.

    Notas de dólar americano
    © Sputnik / Natalia Seliverstova
    Notas de dólar americano

    Segundo especulações, o efeito combinado de uma reavaliação maciça dos ativos com os crescentes danos físicos relacionados às mudanças climáticas poderia desencadear uma crise financeira. Bancos, companhias de seguros e outros intermediários financeiros estão enredados no complexo de petróleo e gás.

    Como esses ativos são anotados em valor, o custo financeiro pode se multiplicar e trilhões de dólares em valor poderiam ser apagados.

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    Tags:
    ativos, mercado, crise financeira, mudanças climáticas
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