08:43 23 Fevereiro 2020
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    O Ministério da Agricultura costurou acordo com a Alemanha para receber financiamento em troca de práticas sustentáveis. A Sputnik Brasil ouviu dois especialistas entender a iniciativa.

    Batizado de "Inovação nas Cadeias Produtivas da Agropecuária para a Conservação Florestal na Amazônia Legal", o projeto foi lançado na segunda-feira (9) em Brasília em cerimônia com a presença da ministra da Agricultura, Tereza Cristina, e do embaixador da Alemanha no Brasil, Georg Witshel.

    Com o uso de bases de dados como o Cadastro Ambiental Rural (CAR) e a Guia de Trânsito Animal (GTA), será criado um índice de sustentabilidade. Produtores com boa avaliação terão incentivos, enquanto os com notas ruins receberão assistência técnica para melhorar. 

    O banco estatal de desenvolvimento da Alemanha, KfW, doará € 25 milhões à iniciativa, enquanto o Ministério da Agricultura entrará com outros € 12 milhões. O projeto será implantado de 2020 a 2024 em todos os Estados da Amazônia Legal (Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia e Tocantins).

    "A novidade é o enfoque, o viés que está sendo dado, de forma a preservar a Amazônia", afirma à Sputnik Brasil o professor de economia agrícola da Universidade Presbiteriana Mackenzie Celso Pascalicchio.

    O professor ressalta que o Brasil tem uma "vocação" para o agronegócio e diz que o acordo é resultado do trabalho da ministra Tereza Cristina.

    "É uma consequência da atividade que ela [Cristina] vem realizando durante esse ano e de parcerias com importantes países da Europa, entre eles a Alemanha. Então estamos começando a colher esse primeiro fruto", afirma.

    A professora de Economia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) Maria Beatriz de Albuquerque David também ressalta o papel de Tereza Cristina na articulação do projeto com a Alemanha: "ela tem uma visão importante de como você pode fazer com que as populações desse local vivam de acordo com sua tradição e preservem, mas tenham uma renda muito maior".

    Para a professora da UERJ, a iniciativa é "focada na produção e desenvolvimento tecnológico para resultar em preservação, você vai explorar melhor os recursos naturais, as áreas já desmatadas e as áreas de exploração sustentável."

    A mesma Amazônia suspendeu repasse neste ano de R$ 155 milhões ao Fundo Amazônia, programa de preservação ambiental que já investiu R$ 1 bilhão na preservação da maior floresta tropical do mundo. A suspensão da transferência de recursos ocorreu por discordâncias sobre a política ambiental brasileira. 

    "Eu queria até mandar um recado para a senhora querida Angela Merkel [chanceler da Alemanha], que suspendeu US$ 80 milhões para a Amazônia. Pegue essa grana e refloreste a Alemanha, ok? Lá está precisando muito mais do que aqui", disse o presidente Jair Bolsonaro sobre o bloqueio dos recursos, em agosto deste ano. 

    A Alemanha também afirmou no dia 6 de dezembro, por meio de nota de sua embaixada no Brasil, que recebeu com "espanto" a afirmação incorreta do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, de que havia concordado com uma reformulação no Fundo Amazônia. 

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    Tags:
    Amazônia, agronegócio, Alemanha, Brasil
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