09:20 09 Agosto 2020
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    Cada vez mais analistas econômicos se lembram da crise financeira de 2008 e advertem que as bolhas podem voltar e rebentar em qualquer momento. Analista econômico avalia o perigo atual.

    Se há mais de 10 anos foi a bolha do mercado imobiliário, agora há outra bomba-relógio: a dívida corporativa, opina o analista econômico Michael Snyder.

    "Nós enfrentamos uma bomba de dívida corporativa que é muito, muito maior do que a que enfrentamos em 2008", disse o autor no seu artigo para TheMostImportantNews.com.

    Segundo o analista, as taxas de juros excessivamente baixas da última década permitiram às corporações estadunidenses acumular a maior dívida corporativa da história.

    A dívida corporativa total dos Estados Unidos alcançou quase US$ 10 trilhões (R$ 41 trilhão), um recorde de 47% da economia em geral, observa o autor.

    No entanto, a dívida total das empresas é na realidade muito maior, se se tiver em conta a dívida das pequenas e médias empresas, as empresas familiares e outras que não estão cotadas na bolsa. Segundo Snyder, há que adicionar outros US$ 5,5 trilhões (R$ 229 trilhões).

    "Todo o mundo pode ver que se aproxima um grande desastre da dívida corporativa, mas ninguém parece saber como o deter", afirmou.

    Nas últimas semanas, a Reserva Federal, o Fundo Monetário Internacional e os principais investidores institucionais, como BlackRock e American Funds, deram a voz de alarme sobre as crescentes obrigações das empresas.

    "Nunca assistimos a uma crise da dívida corporativa desta magnitude", comentou o analista.

    A dívida das empresas "aumentou uns enormes 52% desde 2008, e esta bolha cresce continuamente".

    "Estamos sentados sobre uma bomba sem explodir, e realmente não sabemos o que é que a fará explodir", cita o autor Emre Tiftik, especialista em dívida do Instituto de Finanças Internacionais.

    No entanto, os EUA não são o único país que "se está afogando". Segundo a Bloomberg, "uma década de dinheiro fácil deixou o mundo com um recorde de 250 trilhões de dívida governamental, corporativa e familiar", o que "equivale a uns US$ 32.500 (R$ 135.775) por cada homem, mulher e criança na Terra", afirma a mídia.

    "Toda esta dívida nunca será paga. Em vez disso, a bolha seguirá flutuando até explodir inevitavelmente", comenta Snyder.

    E quando finalmente explodir, é provável que se torne realidade o guião apocalíptico de Mad Max, opina o investidor e especialista em mercados Rick Ackerman.

    "Considero inevitável uma evolução da situação como em Mad Max […] Já nos metemos em uma situação na qual a segurança social vai fracassar […] A comida dos supermercados, o envio de um dia da Amazon... Não vejo como todas estas coisas podem seguir funcionando em uma condição que não seja a falsa prosperidade que temos agora", cita o autor Ackerman.

    Dada a inevitabilidade de um colapso, o autor do artigo apela a aproveitar o presente.

    "A verdade é que nos dirigimos para um desastre total e completo, e o único debate real é sobre quanto tempo tardaremos em chegar lá. Então disfrute destes momentos de relativa estabilidade enquanto pode, porque é só questão de tempo antes de irmos para o precipício", conclui Michael Snyder.

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    EUA, dívida, analista, crise financeira, economia
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