Grandes bancos europeus estão 'desinvestindo' nos EUA

© REUTERS / Carlos Garcia RawlinsHomem posando com dólares depois de comprá-los em uma casa de câmbio em Caracas (Foto de arquivo)
Homem posando com dólares depois de comprá-los em uma casa de câmbio em Caracas (Foto de arquivo) - Sputnik Brasil
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Nos últimos três anos, os quatro maiores bancos europeus de investimento reduziram seus ativos nos EUA, para "otimizar capital" e evitar regulamentação.

Os quatro maiores bancos de investimento da Europa, o Deutsche Bank, o Credit Suisse, o UBS e o Barclays, retiraram ativos de suas principais holdings nos EUA nos últimos três anos. O montante total é de US$ 280 bilhões (R$ 1,18 trilhão).

Esta dramática reformulação das operações revela como os bancos estão abordando seus problemas crônicos relativos à rentabilidade de seus negócios nos EUA.

Desde 2016, os gigantes bancários têm sido forçados a transferir a maioria de suas operações nos EUA para as chamadas holdings intermediárias (intermediate holding companies, IHC em inglês), que são capitalizadas de forma independente e testadas para avaliar sua capacidade de suportar crises futuras. Em três anos, estes bancos reduziram em mais de 34% seus ativos depositados nestas entidades.

Esta redução deveu-se, em certa medida, à diminuição de sua presença nos EUA, mas, na sua maioria, resultou da implementação do seu plano de transferência de ativos para outras entidades sujeitas a menos regulamentação por parte das autoridades norte-americanas.

Credit Suisse e Deutsche Bank

O banco suíço Credit Suisse liderou essa tendência ao reduzir seus ativos em IHCs em US$ 105 bilhões (R$ 440,6 bilhões).

É seguido pelo Deutsche Bank da Alemanha, que reduziu seus ativos nas holdings intermediárias em US$ 86,3 bilhões, ou seja, de US$ 203 bilhões para US$ 116,7 bilhões (de R$ 851 para R$ 489,7 bilhões), mas ainda teve que aumentar o patrimônio líquido na sua IHC, de US$ 10,9 bilhões em setembro de 2016 para US$ 13,5 bilhões (de R$ 45,7 para R$ 56,7 bilhões) em 2019. Como resultado, os ativos da principal agência do Deutsche Bank nos EUA aumentaram em US$ 45 bilhões, de US$ 130 bilhões para US$ 175 bilhões (de R$ 545 para 734 bilhões) no mesmo período.

Em 2016, antes do regime IHC, o banco alemão foi duramente criticado por usar as complexas estruturas dos EUA para conduzir seus negócios em Wall Street sem uma almofada financeira, um requisito mínimo de solvência exigido a uma instituição de crédito em um determinado território.

Uma fonte próxima ao caso disse ao Financial Times que a mudança de ativos tem principalmente a ver com "otimização de capital".

Barclays e UBS

A capitalização do banco Barclays nos EUA caiu US$ 61 bilhões (R$ 256 bilhões) nos últimos três anos. O banco britânico está mais comprometido com os EUA do que seus rivais estrangeiros devido à aquisição do Lehman Brothers após a crise de 2008.

"Temos uma maior percentagem de negócios nos EUA do que alguns dos nossos concorrentes. É por isso que os EUA são fundamentais para nós. É quase como se fosse uma sede dupla", explicou um dos executivos do Barclays, Joe McGrath.

A menor redução nos ativos foi relatada pelo banco suíço UBS, que já havia feito grandes cortes em seus negócios nos EUA antes da introdução das novas estruturas. Entre 2016 e 2019, essa instituição financeira retirou US$ 25 bilhões (R$ 105 bilhões) das holdings intermediárias.

Dennis Keller, chefe do grupo Better Markets, acredita que essas estratégias dos bancos europeus são preocupantes e que "a arbitragem regulatória clássica" poderá mais uma vez colocar os contribuintes americanos e as instituições da Reserva Federal em maior risco porque poderão ter que "resgatar" os bancos europeus em caso de crise.

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