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    O euro dominou a economia venezuelana nos últimos meses, após nova rodada de sanções norte-americanas. Petrolífera estatal, PDVSA, e Banco Central do país privilegiam a moeda europeia em detrimento do dólar.

    A quantidade de euros em circulação na economia venezuelana aumentou significativamente, após o Banco Central dobrar o fornecimento da moeda europeia aos bancos locais.

    Em meados de outubro, a autoridade monetária dobrou os repasses para os bancos locais: € 1 milhão (R$ 4,6 milhões) por semana para os principais bancos privados do país e cerca de € 500 mil (R$ 2,3 milhões) para bancos menores.

    Bolívar venezuelano
    © REUTERS / Ueslei Marcelino
    Bolívar venezuelano

    A autoridade monetária distribui os euros em espécie para que empresas paguem suas importações ou bônus de seus funcionários, diminuindo a pressão sobre a moeda local, o bolívar, que está fortemente depreciada e escassa no mercado.

    O aumento no uso da moeda europeia teve início em fevereiro, após Washington intensificar as sanções econômicas voltadas para forçar a queda do presidente Nicolás Maduro do poder, reportou a Reuters.

    Neste ritmo, a quantidade de euros em circulação pode ultrapassar não só a quantidade de dólares, mas também a de bolívares, atualmente estimada em U$ 59 milhões.

    Divisa de petróleo e ouro

    De acordo com fontes ouvidas pela agência de notícias, após a imposição de nova rodada de sanções, a Venezuela passou a receber euros como pagamento de suas exportações de petróleo e ouro.

    A estatal de petróleo venezuelana, PDVSA, também passou a operar com a moeda europeia, a fim de contornar as sanções norte-americanas.

    A petrolifera estatal venezuelana PDVSA aumenta significativamente as suas transações em euros durante o ano de 2019
    © AFP 2019 / Juan Barreto
    A petrolifera estatal venezuelana PDVSA aumenta significativamente as suas transações em euros durante o ano de 2019

    Portanto, além da injeção de euros estimulada pelo Banco Central, a economia ainda absorve as entradas da divisa realizadas pela petrolífera.

    Reforço das sanções norte-americanas

    Após Washington impor sanções aos bancos estatais do país, inclusive ao banco de desenvolvimento, Bandes, em 22 de março, instituições financeiras estão relutantes em fazer negócios com a Venezuela.

    Em agosto, o Tesouro norte-americano declarou estar disposto a sancionar qualquer entidade que forneça apoio material ao país caribenho.

    De acordo com a consultoria Ecoanalitica, 53,8% das compras do varejo realizadas em outubro na Venezuela foram feitas em moeda estrangeira. A moeda venezuelana sofreu uma depreciação de 90% em 2019.

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    Tags:
    PDVSA, sanções, EUA, Euro, Europa, Venezuela
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