00:33 18 Novembro 2019
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    Participantes do Fórum Econômico Rússia-África

    Moçambique revela área que mais recebe investimento do Brasil

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    Uma delegação moçambicana, da qual o presidente Filipe Nyusi faz parte, está na Rússia para o fortalecimento das relações econômicas. A Sputnik Brasil conversou com o promotor de investimento de Moçambique sobre as relações tanto russas como brasileiras.

    O diretor-geral da Agência para a Promoção de Investimento e Exportações de Moçambique (APIEX), Lourenço Sambo, classificou o Fórum Econômico Rússia-África como sendo "extraordinário e muito necessário" para o progresso africano, destacando que "a África precisa muito da Rússia".

    Acordos fechados com empresas russas

    De acordo com Lourenço Sambo, no decorrer do fórum econômico, realizado em Sochi entre 23 e 24 de outubro, "acordos no setor privado já foram fechados entre empresas moçambicanas e russas".

    O promotor de investimento acentuou a visita do presidente de Moçambique à Rússia em agosto deste ano, classificando-a como "extraordinária".

    "A visita foi extraordinária por termos conseguido interagir com empresas na área de energia, que é extremamente importante, na área de gás e na área de mineração, que há um grande interesse de empresas russas em investir nessa última área."

    Relação econômica Brasil-Moçambique

    De acordo com Lourenço Sambo, a relação entre Brasil e Moçambique "não está mal, comparando com toda a América, onde a América do Norte entra com mineração [em Moçambique] de óleo e gás, já a América do Sul, sobretudo o Brasil, está na área do carvão".

    Diretor-geral da Agência para a Promoção de Investimento e Exportações de Moçambique (APIEX), Lourenço Sambo, no Fórum Econômico Rússia-África, 24 de outubro de 2019
    © Sputnik / Pablo Rodrigues
    Diretor-geral da Agência para a Promoção de Investimento e Exportações de Moçambique (APIEX), Lourenço Sambo, no Fórum Econômico Rússia-África, 24 de outubro de 2019

    O diretor-geral da APIEX pontuou que o desafio atual é concretizar a triangulação entre Japão, Brasil e Moçambique para desenvolver a agricultura. Como explicou, trata-se de um projeto semelhante ao Pró-Cerrado brasileiro, que visa explorar agricultura sem causar muitos danos ao bioma. No caso, a versão moçambicana seria chamada de Pró-Savana.

    Segundo Lourenço Sambo, o projeto Pró-Savana está dando passos curtos para concretização.

    Vale ligando Brasil a Moçambique

    "O maior investimento que o Brasil fez em Moçambique foi na área do carvão. Temos a Vale Brasil e temos a Vale que investiu a partir dos Emirados Árabes Unidos e construiu a linha férrea, que transporta o carvão através do Malawi até Nacala Porto [cidade moçambicana]", destacou Lourenço Sambo para a Sputnik Brasil.

    Além do investimento na infraestrutura moçambicana com a construção de linha ferroviária, a Vale entrou também no reconhecimento e mapeamento das minas para extração do carvão, que agora está na fase de produção e exportação, de acordo com o diretor-geral da APIEX.

    O promotor de investimento destacou que estudantes moçambicanos estão se capacitando no Brasil na exploração de carvão, sendo financiados pela Vale.

    Política do Brasil é observada por Moçambique

    Lourenço Sambo revelou que a situação política do Brasil é acompanhada por Moçambique.

    Em se tratando das relações do Brasil com Moçambique, o diretor-geral da APIEX afirmou: "Não diria que estão péssimas, mas não estamos indiferentes com o que está acontecendo no Brasil, onde está tendo a Lava Jato e apreensão de muitos envolvidos. O mais importante para nós é que, de fato, as relações econômicas não deixem de existir em momento algum."

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    Moçambique, Rússia, Brasil
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