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    Brexit à moda brasileira? Especialistas analisam possível saída do Brasil do Mercosul

    © AP Photo / Eraldo Peres
    Economia
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    Diante da possível mudança de poder na Argentina, o Planalto já cogitou a saída do Brasil do Mercosul. Mas quais seriam as implicações de tal decisão?

    Após rumores da possível saída do Brasil do Mercosul, a mídia americana Bloomberg analisou tal probabilidade.

    Interdependência

    Desde a década de 90, o Mercosul foi um instrumento de aquecimento das relações econômicas entre seus países membros. Nos últimos dez anos, o Brasil vendeu por volta de US$ 87 bilhões (cerca R$ 353 bilhões) em mercadorias para nossos vizinhos do bloco.

    O comércio intenso fez com que metade de nossas exportações tivesse como destino a Argentina. Além disso, em via oposta, metade do trigo consumido pelos brasileiros tem origem neste país vizinho.

    Tais dados mostram o elevado grau de interdependência que ambos os países possuem. Em grande parte tudo isso foi possível graças ao Mercosul.

    Mudanças de poder

    Em agosto, o presidente Jair Bolsonaro levantou a possibilidade de o Brasil abandonar o Mercosul, tendo em vista a possível mudança de poder na Casa Rosada. Ao que parece, Alberto Fernández, da coligação Todos, deverá vencer as eleições presidenciais em outubro.

    "O atual candidato que está na frente na Argentina, que tem a Cristina Kirchner como vice, ele já esteve visitando o Lula, já falou que é uma injustiça o Lula estar preso, já falou que quer rever o Mercosul. Então, o Paulo Guedes [ministro da Economia], perfeitamente afinado comigo, por telepatia, já falou: se criar problema, o Brasil sai do Mercosul. E está avalizado, não tem problema nenhum", publicou a fala do presidente o portal Uol.

    No entanto, a saída do bloco não seria tão simples quanto parece.

    Implicações

    Em primeiro lugar, a decisão do presidente de sair do Mercosul só seria possível com o aval do Legislativo. Além do mais, as relações comerciais com os países do bloco teriam que ser refeitas através da negociação de tarifas alfandegárias e outros procedimentos.

    Tudo isso visando suprir a retirada das vantagens que o bloco hoje dá. Para Welber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior do Brasil em 2007 e 2011, o Brasil perderia com a saída do bloco.

    "Nós teríamos os mesmos problemas que o Reino Unido tem hoje com o Brexit. Nós perderíamos acordos comerciais", disse Barral à Bloomberg.

    Um dos indicadores dos possíveis danos à economia brasileira, após a saída, seria a participação que a Argentina tem na economia brasileira. A atual crise em Buenos Aires comprometeu cerca de 0,5% do crescimento econômico do Brasil neste ano, mostrou um estudo feito pela Fundação Getúlio Vargas.

    Além disso, o Mercosul é o segundo mercado mais atraente para o empresariado brasileiro, gerando em torno de 31.100 empregos a cada R$ 1 bilhão em exportações brasileiras, de acordo com a Confederação Nacional da Indústria.

    Além do mais, o Brasil poderia ter sua imagem afetada no exterior com a saída.

    "Seria um sinal de falta de seriedade e afetaria as relações do Brasil com o mundo", disse o ex-ministro das Relações Exteriores Aloysio Nunes Ferreira citado pela mídia.

    Soluções?

    Evitando as duras implicações, alguns especialistas preferem a maior flexibilização do bloco em relação à saída de seus membros. Uma delas seria a permissão de cada país estabelecer suas próprias tarifas alfandegárias para países fora do bloco. Isso minimizaria a dependência dos membros do bloco no âmbito do comércio internacional, concluiu a mídia.

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    Tags:
    Argentina, Brasil, Mercosul
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