13:01 22 Novembro 2019
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    Dólar norte-americano

    Análise: valorização do ouro é alerta sobre possível queda da moeda norte-americana

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    Recentemente, os bancos centrais de diversos países aumentaram de maneira considerável as suas reservas de ouro, algo que pode ser um alerta para a moeda norte-americana.

    Isso porque, caso os países percam a confiança no dinheiro fiduciário, a queda do dólar será algo inevitável, afirma o professor da Universidade Eletrotécnica de São Petersburgo, Alexandr Yakovlev.

    Durante anos, os EUA têm sido o maior detentor de ouro. Em abril de 2019, as reservas de ouro do país equivaliam a mais de 8.133 toneladas. Esta é a razão pela qual os especialistas consideram que a política monetária dos EUA determina em grande parte o aumento do preço do ouro.

    Se a Reserva Federal dos EUA decidir suavizar a sua política monetária e de crédito, o valor do ouro pode seguir crescendo. Caso isso seja feito mas de forma menos pronunciada, o preço do ouro se estabilizará nos atuais níveis, podendo inclusive sofrer uma queda, explica o professor da Academia Presidencial de Economia Nacional e Administração Pública, Sergei Zhestanov.

    Aleksandr Yakovlev, por sua vez, considera que o dinheiro fiduciário, o ouro e as criptomoedas não são os três pilares do sistema financeiro mundial, mas sim um bosque em que os economistas e as empresas estão perdidos.

    "Atualmente, há um caos total. O dinheiro fiduciário não é seguro. O que resta? O instrumento antigo, como o ouro, ou o novo sistema de criptomoedas altamente voláteis (...)", lembra o especialista.

    Por esta razão, o Banco Central da Rússia decidiu investir suas reservas em diferentes moedas. Este passo preocupou não apenas os diversos meios de comunicação, como também os círculos acadêmicos e os empresários ocidentais.

    "Diferentes países tentam dar importância ao ouro ao investir, mas devemos lembrar que o ouro não produz juros, exige gastar dinheiro em seu armazenamento e, mais importante, seu preço pode não só crescer, mas também baixar", ressalta o economista.

    Com isso, os especialistas acreditam que a Rússia e a China têm uma vantagem importante sobre outros países. Ambos apoiam a indústria de produção de ouro, que desempenha um papel importante nas suas economias. Dessa maneira, o Banco Central da Rússia compra o ouro dos produtores nacionais para que estes não parem a exploração e conservem os empregos no Extremo Oriente russo.

    No entanto, no caso de uma nova crise financeira global, o ouro não salvaria o país a menos que tivesse uma economia forte, diz Yakovlev. Mas o ouro é capaz de atenuar o impacto da crise, enfatiza Yakovlev durante entrevista à mídia russa.

    Nota de dólar norte-americano
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    Nota de dólar norte-americano

    "A acumulação de reservas de ouro é mais promissora que a de dinheiro fiduciário. Em caso de uma crise, as reservas de moeda estrangeira não o salvariam, uma vez que o investimento em dinheiro fiduciário se assemelha à situação que normalmente ocorre entre um jogador e um casino. Ou seja, o jogador perderá sempre, pois ficará sem dinheiro mais depressa do que o casino. No nosso caso, o casino é o país que imprime o dinheiro fiduciário", sublinha.

    De acordo com Yakovlev, o dinheiro fiduciário é baseado na fé. Caso se perca a fé, a queda do dólar será inevitável. O beneficiário desta queda será o ouro, já que o crescimento de seu preço ocorre em períodos de instabilidade econômica e política.

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    Tags:
    Dólar, ouro, moeda, economia, dinheiro
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