01:33 18 Julho 2019
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    Barras de ouro (imagem de arquivo)

    'Ouro é dinheiro': por que EUA se opõem ao uso do metal precioso nas transações globais?

    CC0 / Pixabay
    Economia
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    A decisão do Deutsche Bank, do banco Citigroup e do Banco da Inglaterra de reter o ouro da Venezuela é uma decisão política, disseram os analistas Pye Ian e Mehmet Ozkan à Sputnik Internacional: os bancos retêm os lingotes venezuelanos porque os EUA querem encurralar o presidente Nicolás Maduro e substituí-lo por Juan Guaidó.

    Em 4 de junho, a agência Bloomberg informou que o Deutsche Bank confiscou 20 toneladas de ouro da Venezuela pelo alegado descumprimento de pagamento do empréstimo de US$ 750 milhões recebido em 2016. Embora o contrato deva expirar em 2021, o banco rescindiu o contrato mais cedo devido ao não pagamento de juros. Na mesma linha, em março de 2019, o banco Citigroup apreendeu o ouro venezuelano.

    O analista Pye Ian acredita que o contrato foi rescindido prematuramente "para prejudicar ainda mais a reputação de pagamento de crédito da Venezuela e os ratings soberanos", enquanto Juan Guaidó é apresentado como o suposto garante da solução da inadimplência da Venezuela.

    Pye sublinhou também que, no caso da Venezuela, o ouro não é apenas o principal ativo financeiro, conforme designado pelo Banco de Compensações Internacionais, mas também um ativo monetário fundamental para se libertar do padrão dólar como moeda de reserva e do monopólio global do petróleo.

    "O ouro é dinheiro. Sempre o foi e sempre o será. Os últimos acontecimentos envolvendo o Departamento do Tesouro dos EUA com vista a bloquear o uso do ouro nas transações internacionais para a Venezuela, Irã, a Turquia e outros países, é a mais recente prova desse fato", declarou o analista à Sputnik Internacional.

    Mehmet Ozkan, membro do think-tank americano Centro de Política Global (Centre for Global Policy, em inglês), está de acordo com Ian. Para ele, as últimas ações dos EUA fazem parte dos esforços para encurralar economicamente o presidente Nicolás Maduro e o governo venezuelano.

    "Maduro está distribuindo pacotes alimentares entre cerca de seis milhões de pessoas, então ele precisa de dinheiro. Se ele não puder obter esse dinheiro para comprar os pacotes alimentares nas cidades, mesmo seus principais apoiantes vão começar a questionar sua capacidade de governar a Venezuela", afirmou Ozkan .

    Em março de 2019, o governo de Maduro não conseguiu comprar de volta o ouro do banco Citigroup no valor de quase 1,1 bilhão de dólares (R$ 4,3 bilhões). Em 2018, o Banco Central da Venezuela pagou 172 milhões de dólares (R$ 670 milhões) ao Citibank para recuperar parte do ouro que havia colocado no banco como garantia de um empréstimo de 1,6 bilhão de dólares (R$ 6,2 bilhões).

    Segundo a Reuters, o Banco Central venezuelano teve que pagar mais 400 milhões de dólares (R$ 1,6 bilhão) ao Citibank em 2020 ao abrigo do acordo, mas a instituição financeira optou por ficar com o ouro em vez de dinheiro.

    Como resultado de tudo isso, o Deutsche Bank e o Citigroup assumiram o controle do ouro do governo venezuelano no valor de cerca de 1,4 bilhão de dólares (R$ 5,4 bilhões).

    Ian sublinha o fato de o Deutsche Bank e o Citigroup não procurarem reestruturar a dívida da Venezuela após os referidos descumprimentos, ao contrário da Grécia em 2015. Segundo ele, isso se deve aos "objetivos claros de isolamento e colapso estatal da Venezuela".

    No ano passado, o governo de Maduro não conseguiu repatriar o ouro do país, avaliado em US$ 1,2 bilhão, do Banco da Inglaterra, embora o ouro não pertença a este banco ou ao governo britânico, mas sim à Venezuela. Isso teria acontecido sob pressão de Washington.

    Para Ian, recusando-se a devolver o ouro à Venezuela, "o Banco da Inglaterra levantou um temor legítimo por todo o mundo de que armazenar ouro no banco começou a envolver riscos políticos diretos".

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    Tags:
    Venezuela, EUA, ouro
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