16:31 21 Agosto 2019
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    Presidente russo Vladimir Putin segurando uma barra de ouro enquanto visitava o Depositário Central do Banco da Rússia (foto de arquivo)

    Rússia continua demolindo posições do dólar e bate recordes em reservas de ouro

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    Economia
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    As reservas de ouro de Rússia aumentaram para mais de 2.100 toneladas no ano passado e o estatuto do país como um dos maiores produtores de ouro permite continuar ampliando ainda mais as reservas devido ao ouro de origem nacional.

    Rússia continua aumentando suas reservas de ouro, e os dados recentemente divulgados pelo Banco Central mostram que as reservas subiram 31,1 toneladas, ou 1,5% das reservas totais, apenas no mês de fevereiro. Levando em conta as outras 6,22 toneladas do metal precioso comprado em janeiro, as reservas agora estão em cerca de 2.149 toneladas, de acordo com o Banco Central.

    A Bloomberg afirma que o impulso para aumento das reservas russas do metal precioso é uma indicação de que o país continua fazendo um "rápido progresso em seus esforços para diversificar em detrimento dos ativos americanos".

    De acordo com o portal, o impacto de mais países iniciarem uma política semelhante em relação ao dólar pode ser problemático, com parceiros europeus dos EUA, incluindo França, Polônia e Hungria, também já envolvidos em compras de ouro semelhantes ou referindo-se à sua dependência do dólar como sendo uma "questão de soberania".

    Para a Rússia, sugeriu a Bloomberg, as reservas de ouro significam segurança "contra choques geopolíticos e a ameaça de sanções mais duras por parte dos EUA, uma vez que as relações entre as duas potências continuam a deteriorar-se". No entanto, com a produção russa de ouro de cerca de 300 toneladas por ano e com o Banco Central comprando quase 275 toneladas em 2018, a Rússia está prestes a fazer compras substanciais no estrangeiro, segundo os observadores.

    "Se atingir o limite das compras internas, acho que o Banco Central vai começar a importar ouro", disse Oleg Kuzmin, economista-chefe da empresa de corretagem Renaissance Capital, sediada em Moscou. De acordo com Kuzmin, as tensões entre a Rússia e os EUA significam que as reservas de ouro da Rússia continuarão crescendo em porcentagem das reservas totais.

    O ouro já representa cerca de 20% do total das reservas cambiais da Rússia, com o dólar caindo de 46% das reservas em meados de 2017 para 22% agora. O volume restante de dólares é explicado pela contínua dependência da Rússia do dólar para o comércio internacional.

    Ronald-Peter Stoeferle, sócio gerente da empresa de investimentos Incrementum AG, sediada no Liechtenstein, disse que a prosperidade em ouro da Rússia ajudou a elevar substancialmente os preços globais do ouro nos últimos anos, com os preços saltando mais de 20% desde 2016 e atingindo cerca de 1.300 dólares por onça nas transações de sexta-feira (29).

    Em 2018, a Rússia foi responsável por 40% do total de ouro comprado pelos bancos centrais, com suas aquisições correspondendo a 6% do total das compras globais. E essa estratégia já trouxe dividendos, de acordo com os especialistas.

    No mês passado, os economistas estimaram que o Banco Central da Rússia já ganhou perto de US$ 10 bilhões (R$ 39 bilhões) graças ao aumento dos preços de ouro. No entanto, os economistas indicam que o aumento do valor em dólares do ouro foi apenas um bônus, uma vez que o principal objetivo do Banco Central era diversificar as reservas e segurá-las contra a ameaça de sanções ocidentais.

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    Tags:
    reservas de ouro, sanções econômicas, aumento, Rússia
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