12:24 19 Outubro 2019
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    Cédulas de dólar e yuan fotografadas em Pequim (arquivo)

    Arma oculta de Pequim: China está pronta para venda massiva de títulos de dívida dos EUA

    © REUTERS / Jason Lee
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    Embora os EUA e a China possam acabar com a guerra comercial já em 27 de março, Pequim, o maior credor dos EUA, começou a vender ativamente seus títulos do Tesouro dos EUA. O que está por trás dessa decisão e que consequências ela poderia ter?

    No fim do ano passado, o Banco Central chinês detinha títulos do Tesouro dos EUA no valor de 1,12 trilhões de dólares – 28% da dívida pública total dos EUA. O Japão estava no segundo lugar, com 1,03 trilhão (25,7%). O Brasil ocupava o terceiro lugar, com títulos no valor de 303 bilhões de dólares (7,5%).

    Entretanto, os novos dados sobre os detentores estrangeiros de títulos estadunidenses refletem uma tendência importante: se observa uma queda no volume dos títulos do Tesouro dos EUA pertencentes a investidores estrangeiros, revelou a Sputnik.

    O volume de investimentos do Japão em títulos da dívida pública dos EUA atingiu seu valor mínimo em sete anos. Já a Rússia e a Turquia, no quadro da pressão econômica de Washington, se livraram da maioria dos títulos do Tesouro dos EUA.

    No entanto, a China, sendo o maior detentor de títulos norte-americanos, é o país que causa a maior preocupação. Nos últimos cinco anos, Pequim vendeu 13,8% dos seus títulos estadunidenses. 

    A emissão de títulos permite a Washington financiar despesas públicas que estimulam o crescimento econômico e manter taxas de juro baixas. Quanto à China, os investimentos nos títulos do Tesouro dos EUA enfraquecem o yuan em relação ao dólar, estimulando as exportações chinesas para os Estados Unidos.

    Entretanto, a compra de títulos da dívida pública dos EUA leva à dependência financeira norte-americana da China. Frente ao conflito comercial entre os dois países, Pequim tem avisado: se continuar assim, a China realizará uma venda massiva dos seus títulos.

    Agora, os dois países estariam à beira de ultrapassar o conflito: o presidente dos EUA Donald Trump e o líder chinês Xi Jinping irão se encontrar em 27 de março e podem chegar a um acordo formal. No entanto, os analistas estão certos: mesmo que o acordo seja assinado, Pequim continuará vendendo dívida pública estadunidense.

    Segundo Laurence Fink, diretor da BlackRock, a maior empresa de investimentos privada no mundo, essa decisão poderia ser causada por um acordo "longe do ideal". Uma das razões dos investimentos da China na dívida pública americana é o superávit comercial com os EUA. Se a China for obrigada a diminuir esse superávit, os investimentos nos títulos do Tesouro dos EUA também sofrerão uma queda, o que, por sua vez, levaria à desvalorização da moeda americana. 

    A China, sendo o maior credor dos EUA, tem um forte meio de pressão política e econômica sobre Washington. Periodicamente, a China usa-o, ameaçando lançar uma venda massiva e derrubar o mercado de títulos dos EUA. Se a China fizer isso, os americanos podem ter que enfrentar a volatilidade do dólar e queda do crescimento econômico. 

    Os economistas avisam que o colapso do dólar terá graves consequências não apenas para os EUA, mas também para toda a economia global, incluindo a economia chinesa. Por isso, o cenário mais provável é a venda gradual dos títulos do Tesouro dos EUA por Pequim. 

    Levando em conta que a procura por títulos da dívida pública dos EUA por parte dos bancos centrais está caindo ao longo dos últimos quatro anos, a questão principal é: quem vai comprar a dívida americana, necessária para o funcionamento da economia do país, se cada vez mais países reduzem os investimentos nesse ativo financeiro?

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    Tags:
    finanças, economia, dólar, títulos, China, Rússia, EUA
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