17:59 16 Novembro 2019
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    Plataforma petrolífera de Hebron.

    Esperando aumento de demanda global, OPEP adia decisão sobre corte na produção de petróleo

    CC BY-SA 4.0 / Shhewitt / Plataforma de Hebron
    Economia
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    Altos funcionários do cartel internacional de petróleo OPEP sinalizaram que outra rodada de cortes na produção é improvável. Uma nova decisão sobre a política do bloco é esperada em junho e não mais em abril, o que apontaria para uma possível extensão dos cortes existentes ou um redução gradual nas restrições atuais.

    O ministro saudita do Petróleo, Khalid Al-Falih, diz que os membros da OPEP e seus aliados devem manter as políticas de produção inalteradas na próxima reunião em abril. O ministro disse que a demanda sólida dos EUA e da China deve sustentar os preços do petróleo no curto prazo, embora a desaceleração da economia global possa pesar sobre os preços no segundo semestre deste ano.

    Em uma entrevista concedida neste domingo, Falih disse que espera crescimento de 1,5 milhão de barris de petróleo/dia (bpd) na demanda internacional no próximo mês. Partindo deste pressuposto, a OPEP e seus aliados provavelmente não terão que aprofundar cortes na produção para sustentar os preços, já que o mercado global de energia parece ter se estabilizado em torno de US$ 65 por um barril de referência de petróleo Brent.

    O ministro saudita também sugeriu que os embargos de petróleo dos EUA contra a Venezuela e o Irã provavelmente reduzirão a oferta global de petróleo bruto, tornando desnecessários cortes adicionais por parte da OPEP. 

    O movimento, no entanto, aumentaria a dependência dos EUA por petróleo importado. Americanos produzem cerca de 12 milhões de bpd atualmente, mas a demanda é estimada em cerca de 20 milhões de bpd, de acordo com os dados da Energy Information Administration (EIA).

    "Se você olhar para a situação da Venezuela, entraria em pânico. Se você olhar para os EUA, diria que o mundo está cheio de petróleo. Você precisa olhar para o mercado como um todo. Pensamos que a demanda de 2019 é bastante saudável", disse Falih.

    As declarações do ministro vieram depois de especulações na imprensa dando conta que a OPEP adiaria sua próxima decisão política até junho. As nações produtoras de petróleo do mundo parecem estar satisfeitas com os atuais preços do petróleo. Vários países — incluindo a Arábia Saudita — já introduziram políticas destinadas a se afastar do petróleo investindo em indústrias de alta tecnologia.

    "Até agora, a provável decisão é estender o acordo em junho. Nada está planejado para abril, apenas para discutir a cooperação entre membros da OPEP e aliados", disse uma fonte do cartel, citada pela Reuters no início deste mês.

    A OPEP+, que inclui membros do cartel e a Rússia, concordou em reduzir a produção em dezembro de 2018 para compensar os efeitos negativos dos riscos econômicos globais sobre os preços do petróleo. A desaceleração contínua na Zona do Euro e da economia na China, bem como os riscos relacionados ao Brexit e as tensões comerciais sino-americanas pesaram sobre o lado da demanda do mercado global de energia ao longo do segundo semestre do ano passado.

    Agora, no entanto, diz Falih, a maior parte desses riscos, juntamente com a mais recente rodada de cortes na produção da OPEP, já estão precificados no barril de petróleo. Autoridades sauditas geralmente vêem a situação atual sob uma luz positiva, já que acreditam que o reino deve manter sua participação no mercado global de petróleo, apesar das crescentes exportações dos EUA e do Canadá.

    Enquanto Falih espera que a demanda global acrescente 1,5 milhão de bpd, a Agência Internacional de Energia (AIE) forneceu um número mais modesto, de olho em uma expansão de 1,4 milhão bpd no lado da demanda neste ano. Falih, porém, acredita que a China deve aumentar suas importações de energia nos próximos meses, apesar das preocupações relacionadas ao seu impasse comercial com os EUA. O ministro disse que o consumo da China pode chegar a 11 milhões bpd este ano — a Arábia Saudita produz 9,8 milhões de bpd.

    A OPEP+ reduziu a produção em 1,2 milhão de bpd por seis meses em dezembro. A estratégia sugere que os comentários de Falih poderiam apontar para uma possível extensão dos cortes existentes, ao invés de aprofundar as reduções na produção.

    Especialistas em energia acreditam que a decisão da OPEP de ampliar ou aprofundar os cortes na produção em junho dependerá em grande parte da situação na Venezuela e no Irã. Se as contínuas tensões políticas na Venezuela — juntamente com o embargo de petróleo dos EUA — durarem até junho, o cartel do petróleo pode manter seus cortes inalterados, ou até mesmo diminuir os valores redução.

    A OPEP não deve aprofundar os cortes de produção este ano, a menos que o petróleo tenha outro grande declínio. Entretanto, um possível aumento na produção continua sendo considerado.

    Tags:
    Brexit, Reuters, OPEP, Khalid al-Falih, Canadá, Rússia, Arábia Saudita, Irã, Venezuela, China, Estados Unidos
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