14:30 21 Setembro 2019
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    Efeito inverso: como Washington ajudou Moscou a acumular 450 bilhões de dólares

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    A acumulação de um grande volume de reservas internacionais pelo Banco Central da Rússia é um efeito direto das sanções ocidentais contra a economia russa, opina a colunista da Sputnik Natalia Dembinskaya.

    Em fevereiro de 2019, o volume das reservas internacionais russas atingiu 475 bilhões de dólares. Essa cifra supera significativamente o volume da dívida externa, que em janeiro se cifrava em 453 bilhões de dólares.

    "Se for necessário, o Ministério das Finanças da Rússia será capaz de pagar sua dívida por completo", sublinhou a jornalista.

    As reservas internacionais são ativos altamente líquidos que o Banco Central da Rússia tem à sua disposição. O banco as utiliza para influenciar a taxa de câmbio da moeda nacional através de intervenções. As reservas internacionais de qualquer país incluem recursos denominados em moedas estrangeiras, ouro, direitos de saque especiais do FMI e obrigações.

    Dembinskaya considera que um dos fatores que facilitaram a acumulação de reservas por parte da Rússia foi a chamada regra orçamentária, segundo a qual todas as receitas obtidas na indústria petrolífera acima do preço básico de 40 dólares por barril são direcionadas ao erário público do país.

    Colchão de segurança

    O Banco Central da Rússia fez intervenções monetárias em 2014 para apoiar a taxa de câmbio do rublo e salvar a economia do país das consequências da crise econômica. Como resultado, as reservas internacionais diminuíram 25%. A partir de 2015, a Rússia iniciou o longo processo de recuperação das suas reservas internacionais.

    Desde fevereiro de 2018, estas reservas aumentaram mais de 27 bilhões de dólares (R$ 100 bilhões). Com esse crescimento, elas são ajustadas não apenas ao funcionamento da regra orçamentária, mas também à imposição de sanções pelos países ocidentais, opina a autor do artigo.

    "O Banco Central da Rússia aplica gradualmente a política [de aumento das reservas internacionais]. Isso não é surpreendente: a pressão das sanções está aumentando e, por isso, a Rússia está criando ativamente uma espécie de colchão de segurança", revelou Dembinskaya.

    As sanções não permitem aos maiores bancos russos e às empresas petrolíferas obter novos créditos nos bancos ocidentais. As empresas russas começaram a pagar suas dívidas nos prazos previstos nos contratos, reduzindo assim sua alavancagem financeira. Isso levou à acumulação de meios financeiros, escreve o jornal The New York Times.

    Segundo o jornal americano, esse efeito pode ser considerado como um fator negativo que retira recursos da economia russa e indica a redução do investimento. Entretanto, os economistas sublinham que a Rússia não precisa de créditos estrangeiros, porque a Rússia está na lista dos países menos endividados do mundo: no último ano sua dívida externa se reduziu em cerca de 10%.

    Ouro em vez de dólares

    Durante a última década, a composição das reservas internacionais russas mudou significativamente: os investimentos em títulos do Tesouro dos EUA foram reduzidos drasticamente, enquanto a percentagem de ouro aumentou.

    Segundo os dados do Banco Central da Rússia, em 1 fevereiro de 2019, Rússia acumulou reservas de ouro estimadas em mais de 89 bilhões de dólares (R$ 330 bilhões), ou seja, o metal precioso é responsável por 18% de todas reservas internacionais do país.

    Com o passar do tempo, a Rússia bem como outros países mostram cada vez menos confiança na moeda americana. Por exemplo, entre junho de 2017 e junho de 2018, o Banco Central russo reduziu seus ativos denominados em dólares de 46% para 22%.

    "Do ponto de vista de desenvolvimento do sistema financeiro, não existe uma alternativa ao dólar. É uma espécie de proteção contra riscos cambiais, um seguro contra sanções e, sem dúvida, uma boa oportunidade para ganhar dinheiro […] Em caso de colapso do sistema financeiro baseado no dólar, o ouro inequivocamente conservará seu valor", concluiu o analista.

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    Tags:
    sanções, ouro, dólar, EUA, Rússia
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