05:36 12 Dezembro 2018
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    Extração de petróleo

    Mundo vai se deparar com déficit de petróleo na próxima década?

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    Economia
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    Ao formar sua estratégia econômica a longo prazo, o governo russo avaliou o preço médio por barril de petróleo ao nível de 50-55 dólares. Entretanto, especialistas por todo o mundo alertam que na próxima década o combustível estará escasso e se tornará muito mais caro.

    Para que é que a Rússia "vai pelo seguro" e será que a crise de petróleo na verdade está ameaçando o planeta? O colunista da Sputnik Maksim Rubchenko analisou o problema em seu artigo especial.

    Pessimistas e otimistas

    Na quinta-feira (22), o governo russo adotou um plano de desenvolvimento econômico e social a longo prazo, isto é, até o ano de 2036, elaborado pelo Ministério do Desenvolvimento Econômico. A tendência principal, segundo os especialistas governamentais, será a redução dos preços do petróleo.

    O Ministério das Finanças e o Banco Central da Rússia também tornaram públicas suas expectativas, que coincidem com as mencionadas acima.

    Enquanto isso, os analistas ocidentais falam igualmente sobre a possível a redução dos preços. Por exemplo, se o banco JP Morgan Chase anteriormente prognosticava o preço médio anual de 83,5 dólares por barril, agora o baixou para 73 dólares. Já em 2020, na opinião da entidade, o valor atingirá 64 dólares. Isto, porém, continua bem acima dos preços previstos pelo governo russo.

    Avaliações diferentes

    Entretanto, a médio e longo prazo os prognósticos diferem muitíssimo. Por exemplo, o banco internacional de investimentos Goldman Sachs adverte que, nos meados da década que vem, a economia global se deparará com um déficit de petróleo e os preços vão aumentar drasticamente.

    O problema consiste em que, devido à queda dos preços nos últimos cinco anos, as empresas petrolíferas em todo o mundo reduziram seus investimentos na exploração de novas jazidas, enquanto as antigas já não são capazes de satisfazer a demanda crescente.

    "Muito poucas empresas petrolíferas podem se dar ao luxo de investir plenamente na exploração de novas jazidas de petróleo, por isso na década de 20 o mundo enfrentará uma evidente escassez física de petróleo", assegurou o chefe do Departamento Europeu de Pesquisa Energética do Goldman Sachs, Michele Della Vigna, em uma entrevista recente à emissora CNBC.

    A Agência Internacional de Energia também adverte contra o risco de escassez significativa deste combustível no mercado internacional em meados da próxima década. O órgão frisa que a indústria de xisto não irá ajudar, pois para evitar a escassez seria preciso aumentar a exploração deste tipo de commodity em 10 milhões de barris por dia, o que é quase impossível.

    Indústria de xisto

    Enquanto isso, a indústria de xisto dos EUA está vivendo dificuldades sérias. Segundo a opinião dos especialistas da empresa de pesquisa Wood Mackenzie, a produtividade das jazidas de xisto norte-americanas está se reduzindo a ritmos acelerados.

    Como consequência, os operadores estadunidenses são obrigados a aumentar os ritmos de exploração a cada ano, ou seja, fazendo crescer as despesas e mantendo o mesmo nível de produção.

    Além disso, os especialistas acreditam que as jazidas de xisto se esgotam muito mais rapidamente que as comuns.

    O Goldman Sachs, por exemplo, frisa que, no ano passado, o ramo viveu um boom extraordinário de produtividade, porém, este ano tem diminuído muito, bem como os volumes extraídos.

    Desse jeito, opinam os especialistas do banco, até o ano de 2020 a indústria de xisto nos EUA vai crescer anualmente em um milhão de barris por dia. Mas, até 2025, provavelmente entrará em queda.

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    Tags:
    petroleira, xisto, Agência Internacional de Energia (IEA), EUA, Rússia
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