00:33 12 Dezembro 2018
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    Desdolarização a todo vapor: como Rússia 'obriga' Europa a desistir da moeda americana

    Marcello Casal/Agência Brasil
    Economia
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    As últimas informações da mídia sinalizam que a Rússia se dedicou a sério a eliminar o dólar da sua economia. Cada vez mais países e empresas estão se envolvendo no processo, o que ameaça o dólar americano, opina o colunista Ivan Danilov.

    O mais importante é que, desta vez, a Rússia decidiu promover a desdolarização nos setores mais sensíveis do comércio mundial: os hidrocarbonetos e as armas, destaca o analista.

    Danilov lembra que o presidente russo se expressou a favor do processo em várias ocasiões frisando que o "quando as empresas russas encontrarem instrumentos que as ajudem a substituir o dólar no comércio, virão maus tempos para a moeda norte-americana".

    O analista considera que hoje já podem ser vistos os primeiros sinais do trabalho que as grandes empresas russas estatais ou apoiados pelo Estado estão realizando para resolver o problema.

    Assim, a agência Reuters escreveu que os gigantes energéticos russos "estão pressionando seus parceiros ocidentais" para que paguem em euros em vez de dólares e tentam introduzir nos contratos condições que permitam sancionar os compradores que decidam não pagar pelo petróleo ou não aceitar o fornecimento por medo das sanções americanas.

    Ou seja, as empresas russas seguem o princípio take or pay (tome ou pague), segundo o qual, um comprador deve ou comprar e pagar o produto ou pagar uma multa pelas remessas que recusou, quaisquer que sejam as condições.

    Para Danilov, o mais interessante é o fato de as previsões pessimistas de muitos analistas e economistas sobre os danos que a desdolorização poderia causar à Rússia não se concretizarem.

    O colunista acha que os parceiros ocidentais não têm outro remédio senão aceitar as condições dos exportadores russos de combustíveis por uma razão:

    "Mesmo que não a Rússia não tenha o monopólio no mercado de petróleo, é muito caro ou muito difícil substituir a quantidade de combustíveis fornecida pela Rússia, ou seja, é mais difícil do que aceitar as condições russas. Por vezes, [essa substituição] é praticamente impossível, especialmente quando uma parte significativa da indústria de refinação petroleira europeia está condicionada a trabalhar com o petróleo russo", explicou Danilov à Sputnik.

    Obstáculos no caminho

    Porém, assinala o autor, o bom início não significa que a desdolarização seja um processo fácil e avance sem obstáculos.

    Para se proteger do possível impacto das novas sanções dos EUA e de outros riscos, o gigante russo Gazprom tomou uma medida de precaução.

    Segundo a Reuters, a empresa conseguiu emitir títulos internacionais eurobonds, em um valor de mais de um bilhão de dólares, que podem ser pagos em euros e outras moedas alternativas ao dólar.

    "Agora, mesmo que neguem à Gazprom o acesso ao sistema de dólares, o gigante poderá reembolsar a dívida em euros, rublos ou outra moeda", detalhou o colunista.

    Quando a Índia firmou o contrato de compra dos sistemas antiaéreos russos S-400 em rublos, o passo foi considerado um duplo fracasso para a diplomacia norte-americana, opina Danilov.

    "Por um lado, a ameaça de sanções americanas pela compra de armas russas não deu certo, por outro lado os indianos ainda 'deitaram mais lenha na fogueira' ao firmar um contrato em outra moeda" frisa o autor.

    Estas movimentações são apenas o início. O canal CNBC informou que outros 13 países estão interessados em comprar os sistemas de defesa antiaérea russos S-400, apesar das restrições estadunidenses, entre eles a Arábia saudita, Qatar, Argélia, Marrocos, Egito e Vietnã.

    O maior problema para os EUA neste caso, ressalta Danilov, é que não poderão impedir a compra já que, em caso de serem ameaçados, os países poderão seguir o exemplo da Índia e firmar o contrato em rublos.

    "Se estes países estão prontos a arriscar e a provocar a fúria de Washington para comprar armas russas (até em rublos), então os EUA de fato têm sérios problemas em preservar a hegemonia financeira e militar no mundo", concluiu.

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