17:05 18 Novembro 2018
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    Nota de rublo.

    Hora de lucrar: por que analistas americanos apelam a investir em ações russas

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    Economia
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    Um colunista da revista norte-americana Forbes sugere que seus compatriotas se esqueçam de sua atitude em relação ao presidente russo Vladimir Putin e aproveitem a situação na bolsa de valores russa.

    O autor do artigo, Simon Constable, especializado em economia aplicada, apela para que os leitores aproveitem a entrada em vigor das sanções contra o Irã em 4 de novembro e tirem vantagem do aumento dos preços das ações russas no curto prazo.

    Sanções contra Irã e mercado de petróleo

    O preço da energia, especialmente do petróleo, influencia muito a bolsa de valores russa e seu aumento tende a fazer crescer as ações das empresas russas, diz a matéria. Com as sanções anti-iranianas à vista, o preço do petróleo poderá subir para uns 90 dólares, segundo estimativas citadas por Constable.

    O preço deste combustível, por sua parte, depende muito da oferta. Ora, as restrições postas à exportação do petróleo iraniano deixarão o mercado sem uma considerável parte da oferta diária. Atualmente, o volume de petróleo que o mercado perde diariamente é de cerca de 750.000 barris por dia, indica o artigo e, a partir de 4 de novembro, este número aumentará em mais 500.000 barris, conforme os países cumpram as sanções dos EUA.

    Porém, as sanções contra Teerã não são o único fator que afeta o mercado de energia, afirma Constable. A queda da extração na Venezuela, a instabilidade dos fornecimentos na Líbia, na Nigéria e no Iraque devido às situações instáveis nestes países, todos eles importantes fornecedores de petróleo, contribuem para o aumento do preço.

    Sanções contra a Rússia?

    Outro fator que pode fazer aumentar aos preços do petróleo e posterior subida das ações russas são as sanções contra a Rússia, ou melhor, o fato de serem menos graves do se esperava, acredita o colunista.

    Analistas citados pelo artigo duvidam que os gigantes de energia russos seja punidos com sanções e isso já é uma ótima notícia para os investidores.

    Além disso, a Rússia apresenta uma bolsa de valores "relativamente acessível" do ponto de vista do rácio preço-rendibilidade e, por isso, atrai o interesse dos investidores estrangeiros por serem ganhos fáceis. Mesmo assim, os especialistas citados não esperam ganhos muito altos devido ao atual clima empresarial no país.

    Constable explica que os mercados acessíveis costumam ter um melhor rendimento do que os mercados mais caros. A Rússia ocupa o terceiro lugar neste aspecto, sendo superada apenas pela Turquia e Argentina, que estão passando por uma crise financeira acompanhada por uma forte desvalorização da moeda nacional.

    O autor da matéria não descarta que o rublo russo possa ter um risco parecido, mas ressalta que o país está muito mais sólido perante a ameaça pois tem um superávit no comércio (exporta mais do que importa).

    O país também possui uma pequena dívida pública — 12,6% do PIB nacional, comparados com 80% em 2000.

    A baixa dívida pública leva ao fortalecimento da moeda em bons tempos, enquanto a subida iminente dos preços do petróleo significa que "a moeda, pelo menos, não se desvalorizará", conclui Constable.

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    Tags:
    mercado de ações, bolsa de valores, lucro, ações, petróleo, sanções, Líbia, Turquia, Nigéria, Irã, Iraque, EUA, Argentina, Rússia
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