21:02 18 Outubro 2018
Ouvir Rádio
    Petróleo bruto sendo virado em um recipiente (imagem de arquivo)

    Príncipe saudita e assessor de Trump descobrem o 'terrível segredo' de Putin

    © REUTERS / Thomas White/Illustration
    Economia
    URL curta
    11472

    As recentes declarações do príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman Saud, e do assessor do presidente dos EUA, Larry Kudlow, revelaram as terríveis perspectivas de futuro da economia russa e do país como superpotência energética. O colunista da Sputnik, Ivan Danilov, classifica-as como "incrível coincidência".

    A produção de petróleo na Rússia sofrerá uma drástica redução nos próximos 19 anos e inclusive poderia desaparecer por completo do mercado global, afirma Mohammed bin Salman Saud. No entanto, Kudlow declarou que "a melhor maneira de desafiar a Rússia" é transformar Washington em uma poderosa potência energética e expulsar Moscou do mercado europeu.

    "Alguns gostariam de acreditar que um terrível segredo do presidente russo, Vladimir Putin, veio à tona. Mas sou forçado a desapontar aqueles que sonham em eliminar a Rússia como uma potência energética", comentou Danilov.

    Se forem considerados os dados das reservas de petróleo russas de 2015 e se dividirem pelo nível atual de extração, resultarão naqueles 19 ou 20 anos mencionados por Mohammed, e essa logística explicaria sua lógica.

    "Ele pode ter chegado a esse número de alguma outra maneira, mas em qualquer caso, suas palavras são muito arriscadas e irrealistas, porque se baseiam na ideia de que o petróleo nunca será encontrado em nenhuma outra parte da Rússia, que suas prováveis e possíveis reservas nunca se consolidarão em algo real, e a Rússia permanecerá no mesmo nível de tecnologias de produção, o que impedirá o acesso a [novas] reservas", disse o colunista.

    Tendo em conta as perspectiva dos projetos petrolíferos russos e o gás no Ártico e na Sibéria, esse roteiro apocalíptico não deve ser considerado absolutamente viável.

    Ao anunciarem que a empresa de petróleo estatal saudita Aramco será listada na bolsa de valores em 2021, fica claro que o príncipe Mohammed bin Salman Saud tentou promover as ações da estatal, e fez uma avaliação negativa das perspectivas da Rússia de promover seu produto e apresentar à companhia saudita como um investimento confiável e promissor, afirma o colunista.

    Enquanto que para o assessor de Trump, essa situação é totalmente diferente. Trata-se de um plano extremamente hostil contra Moscou, relata Danilov.

    "Devemos entregar o gás à Europa e desafiar a hegemonia russa no gás natural e no liquefeito [..] Necessitamos concentrar o setor energético", declarou Kudlow durante entrevista a Hill.TV, adicionando que os EUA "superam a Arábia Saudita e Rússia" no setor energético, pois a nação norte-americana poderá produzir 15 milhões de barris de petróleo diariamente.

    O único interesse de Washington é trocar o gás russo pelo GNL [Gás natural liquefeito] americano, enfatiza o colunista.

    Apesar da pressão dos EUA sobre a União Europeia, o Nord Stream 2 está sendo construído e, de acordo com a empresa russa Gazprom, os investimentos necessários para o projeto do gasoduto foram financiados em quase 70%, o que torna quase impossível a interrupção do programa nesse estágio.

    A tentativa de forçar os europeus a comprarem GNL americano por preços altos, em detrimento de seus próprios interesses econômicos, não parece muito plausível. Esses dois fatores contribuem para o fracasso do plano para diminuir a presença energética russa no território europeu. 

    O colunista também menciona a política de desdolarização recentemente anunciada pelo presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker.

    Já a previsão de crescimento da produção nos EUA de até 15 milhões de barris por dia é considerada apenas no cenário mais otimista, o que pode vir a não acontecer. 

    A proposta de Kudlow de expulsar a Rússia do mercado mundial de gás falha em uma realidade onde o GNL russo produzido em um projeto do Ártico foi para os Estados Unidos.

    "A Rússia é uma superpotência energética, e o fato de algumas autoridades estrangeiras sonharem com a sua retirada do mercado apenas confirma a importância da presença russa nos principais mercados de energia do planeta", concluiu Danilov.

    Mais:

    Rússia torna-se menos dependente do petróleo e sanções, diz ministro das Finanças russo
    Empresário chinês: EUA pararam fornecimento de petróleo à China em meio à guerra comercial
    Putin relaciona aumento dos preços do petróleo com fator iraniano
    Todo o petróleo venezuelano deve ser vendido em petro, avisa Maduro
    Tags:
    setor energético, petróleo bruto, Gás Natural Liquefeito, gás natural, Gazprom, Saudi Aramco, Mohammed bin Salman, Larry Kudlow, Rússia
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar no FacebookComentar na Sputnik