13:46 15 Outubro 2018
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    Funcionários checam produtos de aço em uma fábrica em Dalian, na província de Liaoning, China (fotos de arquivo)

    Rumo a centro financeiro: poderia Xangai se tornar Nova York asiática?

    © REUTERS / China Daily
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    No ano que vem, a China lança opções para aço laminado. A nova ferramenta financeira visa proteger os fabricantes nacionais contra riscos de variação dos preços. A China, sendo um dos maiores produtores e consumidores de aço, em meio à guerra comercial com os EUA, busca receber mais alavancas de influência sobre os preços.

    Após a crise de 2008, as autoridades chinesas começaram a reforçar a produção do aço para manter o crescimento econômico do país. A medida, que na época afetou de forma positiva o país, agora representa um problema. Nem a China, nem o resto do mundo precisa de tanta quantidade de aço chinês. A Associação Mundial do Aço estima que, até 2020, a produção do aço na China caia de 886 até 842 milhões de toneladas, mas a demanda também se vai reduzir.

    Isso pode provocar a queda do preço do metal. Portanto, a China se vê interessada em poder influenciar os preços da produção, para poder proteger seus produtores do excesso de volatilidade, assinalou em entrevista à Sputnik China a analista do Instituto da Economia Internacional da Academia Chinesa de Relações Internacionais Modernas, Chen Fengying.

    "A promoção de opões para o aço laminado é motivada pelo mercado de ações chinês, bem como pela necessidade de criação de um mecanismo de formação de preços. É preciso entender que a China está lidando com uma superprodução do aço. Além disso, a produção chinesa foi expulsa do mercado norte-americano. Portanto, se a China conseguir criar um contrato de opções para o aço laminado, tal medida irá reforçar as posições chinesas na influência sobre os preços da produção", assinalou a especialista.

    A agência Reuters noticiou que a China planeja lançar as opões em maio de 2019. Neste caso, a maior parte das negociações no principal mercado de opções asiático, em Singapura, vai passar a ser negociada na China, acredita Fengying. Contudo, segundo ela, Pequim não tem necessidade de se comparar com Singapura, tendo outro objetivo.

    "A meta da China é bem clara: tornar Xangai até 2020 o centro asiático de comércio de contratos futuros", apontou, acrescentando que outro objetivo maior do gigante asiático é tornar Xangai no centro financeiro asiático.

    "O mercado chinês possui um grande potencial, já que do ponto de vista financeiro Xangai se tornará o análogo de Londres ou Nova York. Sendo assim, a nossa meta não é a concorrência com Singapura. O poderio do Estado chinês permite que Xangai vire o maior centro financeiro, tendo uma boa localização, bem como a dimensão e a unidade do povo", acredita Chen Fengying.

    Ao longo de muitos anos, pelo título de centro financeiro asiático estão lutando Hong Kong, Xangai e Tóquio. Aparentemente, Xangai tem as chances mais elevadas. Em 2009, o volume da sua economia superou o nível do PIB de Hong Kong. Além disso, o desempenho do yuan na economia mundial está crescendo. Agora, 1,39% das reservas de bancos centrais é a moeda nacional chinesa, sendo antigamente 1,08%.

    Além disso, as autoridades chinesas vêm promovendo o comércio bolsista em Xangai. Na bolsa de valores da cidade chinesa estão sendo negociados contratos futuros de prata, ouro, aço e alumínio. No final de março foi lançado o primeiro contrato padrão petrolífero expresso em yuanes.

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    Tags:
    aço, preços, economia, China
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