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    Bolsa de valores de Nova York (foto de arquivo)

    Como guerras comerciais podem afetar início da 'supercrise' prognosticada para 2020

    © AP Photo / Richard Drew
    Economia
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    O banco de investimentos JPMorganChase afirma que em 2020 o mundo se confrontará com graves perturbações econômicas, chamando-as de "supercrise". Uma colunista da Sputnik analisa em que é que um prognóstico tão tenebroso se baseia e qual é a probabilidade de ele se vir a realizar.

    Sabe-se que, dez anos atrás, o colapso do maior banco de investimentos no mundo, o Lehman Brothers, provocou uma crise financeira global que resultou em uma recessão prolongada, relembra Natalia Dembinskaya. A partir de então, os especialistas em finanças não param de formular diferentes modelos econômicos tentando prognosticar os prazos e avaliar a envergadura do colapso econômico seguinte, bem como definir o caráter cíclico destes eventos.

    O JPMorgan Chase fez sua própria avaliação — segundo seus prognósticos, devemos esperar o colapso já em 2020. Na análise foram tomados em consideração tais índices como a duração do período de crescimento econômico e da queda ulterior, a correlação entre recursos próprios e emprestados nas grandes empresas, o preço dos ativos e os níveis de desregulação e inovações financeiras, explica a autora.

    Espera-se que a queda prevista no mercado de ações não seja tão grande como nos anos 2007-2008, pois o preço dos ativos nos países em desenvolvimento hoje em dia é muito mais baixo do que na época.

    Razões da provável crise

    Em opinião de Marko Kolanovic, especialista em estratégia de investimentos do JPMorgan Chase, as perturbações no mercado de ações surgirão devido ao excesso de fundos de índice (ETF), de investimento e de outros fundos geridos de modo passivo, bem como devido às estratégias de comércio computorizadas. Assim, explica o analista, a falta de investidores ativos vai resultar em que ninguém comprará os ativos mesmo com preço reduzido.

    Além disso, o banco chama a atenção ao fato de a liquidez no mercado de ações estadunidense estar a um nível cerca de dois terços mais baixo que antes da crise de 2008.

    "Os eventos que começaram no mercado em 2008 levaram a uma perturbação grave na liquidez, o que pode ser uma particularidade-chave da próxima crise", dizem os analistas do banco.

    Outro fator desestabilizador é a mudança na estrutura do mercado de créditos hipotecários, já que a cota-parte de empréstimos hipotecários não bancários cresceu até 80%, enquanto antes da crise de 2008 era só de 20%.

    Influência das guerras comerciais

    Em uma entrevista ao canal CNBC, o analista Marko Kolanovic assegurou que a probabilidade da crise estourar na segunda metade de 2019 é bastante baixa. A dinâmica do seu desenvolvimento vai depender, particularmente, da rapidez do aumento das taxas de juros estabelecidas pelo Sistema de Reserva Federal dos EUA. Quanto à discutida guerra comercial com a China, esta pode tanto aproximar quanto adiar a crise, acredita Kolanovic.

    De acordo com os analistas, a situação de hoje se parece muito com a criada duas décadas atrás, quando os investidores saíam massivamente dos títulos de dívida emitidos pelas economias em desenvolvimento.

    Enquanto isso, outro banco estadunidense, o Bank of America, considera a política cada vez mais protecionista de Washington como uma ameaça à estabilidade econômica internacional. As guerras comerciais causam danos colossais ao comércio internacional, afetando os preços e o acesso aos produtos das redes de fornecimento, o que desfere um "golpe duro" contra a economia global, assinala Natalia Dembinskaya.

    Por exemplo, o famoso economista e banqueiro estadunidense James G. Rickards assinala que atual ascensão da economia norte-americana e europeia pode acarretar um enorme colapso nas bolsas, parecido com o de 1929. Neste caso, uma recessão prolongada em todo o mundo é inevitável.

    Abalos sociais

    O banco JPMorgan Chase adverte que, ao contrário da crise de 2008, o eventual colapso de 2020 acarretará distúrbios sociais de grande envergadura, particularmente no que se trata dos próprios EUA. Isso não acontece há meio século, desde o ano de 1968.

    De acordo com Marko Kolanovic, essa probabilidade está diretamente relacionada com a web e as redes sociais, onde se formam diversos grupos de interesses, enquanto os eventos políticos, tais como as presidenciais estadunidenses de 2016 e o Brexit, ainda jogam lenha na fogueira.

    Os analistas frisam que, caso os bancos centrais consigam evitar a brusca queda dos preços dos ativos, provavelmente a situação não terá um caráter tão dramático. Caso contrário, a humanidade enfrentará a depressão econômica, distúrbios sociais e "mudanças ainda mais devastadoras".

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    Tags:
    crise financeira, mercado de ações, bolsa de valores, JPMorgan, China, EUA
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