05:25 20 Outubro 2018
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    Por que os brasileiros estão tão pessimistas em relação à situação econômica do país?

    © AFP 2018 / VANDERLEI ALMEIDA
    Economia
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    Um estudo divulgado pelo Pew Research Center na última terça-feira revelou que o Brasil está entre os países mais pessimistas em relação à economia. A pesquisa, realizada 10 anos após a quebra do banco Lehman Brothers, que arrasou a economia global, mostra que apenas 9% dos brasileiros acreditam que a situação do país é boa hoje.

    A instituição norte-americana avaliou a expectativa de cidadãos de 27 países, e o Brasil só ficou atrás de Grécia (4%) e Tunísia (8%), os mais pessimistas. Os holandeses são os mais otimistas em relação à atual situação econômica de seu país. Entre os brasileiros, 53% estimam que as crianças de hoje terão um futuro econômico pior do que o atual. Mas será que a realidade econômica atual do país corresponde à percepção da crise dessa parte tão grande da sociedade? 

    Para o professor Renato Fragelli, da Faculdade de Economia da FGV-Rio, é muito importante levar em consideração a percepção popular em casos como esse. No entanto, ele defende que nem a situação no passado era tão boa como muitos pensam e nem a atual é tão ruim. Segundo o especialista, o Brasil vive hoje um momento "divisor de águas", em que se espera que algo aconteça para o país voltar a crescer. 

    "Se nós pegarmos o que foi o Brasil no passado, as pessoas se esquecem do que era a vida naquele ambiente inflacionário. Aquilo era uma tragédia, sobretudo para os mais pobres. E o Brasil superou isso", disse ele, destacando progressos na distribuição de renda e também na área da saúde. "O Brasil faz progressos, mas só que está fazendo progressos muito lentamente, e isso está gerando essa desesperança no nosso povo."

    Fragelli acredita que a situação de desequilíbrio fiscal e outros problemas sérios que acometem o Brasil são os mesmos que outros países já tiveram e enfrentaram, mais ou menos, da mesma forma. Um caso evidente, para ele, é o da reforma da Previdência. O professor defende que o país, com a expectativa de vida aumentando cada vez mais, não deve pensar em "reinventar a roda", apenas seguir os exemplos de outros. Acontece, segundo ele, que, ao mesmo, vivemos uma época de incerteza generalizada, que paralisa empresários e preocupa muitas famílias, deixando todos esperando a consolidação de um cenário mais claro. 

    "Nessa incerteza generalizada, todo mundo fica parado esperando para ver o que vai acontecer. Então, nós temos aí um processo eleitoral muito dividido, a política está esgarçada, e isso cria esse clima de aflição. Agora, eu tenho esperança de sair uma decisão do eleitorado consistente e que nós possamos superar essa fase."

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    Tags:
    economia, FGV, Renato Fragelli, Turquia, Grécia, Rio de Janeiro, Brasil
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