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    Notas yuan e dólares dos EUA são vistos em uma mesa em Yichang, província de Hubei, na China central em 14 de agosto de 2015

    O que dará um yuan fraco à China na guerra comercial com EUA?

    © AFP 2018 / STR
    Economia
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    A moeda nacional da China continua se desvalorizando. Tal tendência tem mitigado as consequências negativas causadas pelas tarifas norte-americanas. Enquanto isso, o fortalecimento do dólar em relação ao yuan, ao contrário, faz com que os produtos norte-americanos percam sua competitividade.

    Nesta sexta-feira (3), a taxa de câmbio do yuan offshore, negociado fora da China continental, atingiu seu nível mínimo dos 15 últimos meses: US$ 6,8. Assim, em termos anuais, a moeda chinesa perdeu 5% do valor em relação ao dólar. De acordo com vários analistas, caso essa tendência se mantenha, até o ano que vem a cotação do yuan em relação à moeda norte-americana pode alcançar 1:7. 

    Vale destacar que a queda do valor do yuan começou depois das declarações dos EUA relativas à imposição de tarifas sobre as importações chinesas. Em conexão a isso, o Goldman Sachs apontou que Washington considera a desvalorização da moeda da China como uma medida de retaliação de Pequim pelas tarifas, já que um yuan fraco fortalece as posições dos exportadores chineses nos mercados mundiais. Ao contrário, os produtos norte-americanos, devido à subida de preços no mercado chinês, perdem sua atratividade. 

    Entretanto, analistas do Goldman Sachs não relacionam a desvalorização do yuan com ações propositadas de Pequim, explicando a tendência com fatores econômicos.

    Não é somente o yuan que vem perdendo valor em relação ao dólar, mas também as moedas de outros países em desenvolvimento, o que tem a ver com o fortalecimento da moeda norte-americana. Além disso, o dólar está se valorizando em resultado da repartição de receitas das empresas norte-americanas no âmbito da reforma tributária. A guerra comercial entre Washington e Pequim também está afetando o preço do yuan devido às preocupações dos investidores, que acreditam que a China será mais prejudicada do que os EUA nesta guerra (pelo menos devido ao desequilíbrio comercial).

    Líderes das duas Coreias, Kim Jong-un e Moon Jae-in, durante encontro na zona desmilitarizada que separa os dois países
    © AP Photo / Assessoria de imprensa da Cúpula das Coreias
    De acordo com o Goldman Sachs, anteriormente, as autoridades chinesas reagiam às alterações no câmbio de sua moeda com intervenções mais ativas do Banco Central. Os motivos são compreensíveis. Por um lado, as autoridades chinesas visam ajudar os próprios exportadores que se encontram em uma situação difícil. Por outro lado, é arriscado gastar reservas de moeda em condições de incerteza. Sendo assim, o que atualmente está acontecendo com o yuan é um evento comum de mercado, acredita Chen Fengying, especialista do Centro de Estudos Econômicos Globais da China, entrevistado pela Sputnik China. Contudo, de acordo com ele, ninguém deixará o yuan "entrar em queda livre", já que não é vantajoso para Pequim.

    "Para a China, o enfraquecimento do yuan a longo prazo não é vantajoso. Por um lado, em certo grau isso ajuda os exportadores. Por outro, todas as empresas envolvidas nas importações de petróleo, aço e outra produção, enfrentarão dificuldades", assinalou o analista, acrescentando que as tarifas dos EUA "não têm nada a ver com isso".

    "A queda do yuan a longo prazo afetará de forma negativa a sua internacionalização. Mas ele [yuan] não vai cair por muito tempo, trata-se de um evento temporário. Da mesma forma, o dólar não vai crescer para sempre, uma vez que a administração de Trump pretende ampliar as exportações", indicou.

    Por muito tempo a estabilidade do yuan mantinha-se de forma artificial por meio de limitações severas das autoridades chinesas relativamente à fuga de capitais do país e intervenções do Estado. Contudo, essa política levou no ano passado à redução das reservas de ouro até US$3 bilhões (R$ 11 bilhões), atingindo seu nível inferior nos últimos cinco anos. Segundo, as regulamentações em excesso da moeda chinesa impedem a sua internacionalização. A internacionalização do yuan é impossível sem a diminuição das limitações sobre a moeda. Sendo assim, é possível que as autoridades da China tenham resolvido enfraquecer um pouco o controle sobre a taxa de câmbio. Enquanto isso, é importante evitar quedas graves para não prejudicar a internacionalização do yuan. 

    Além disso, em condições de desaceleração do crescimento econômico, um yuan fraco não beneficiaria a China. Levando em consideração a dependência crescente da China do petróleo e gás, a desvalorização do yuan aumentará os custos de produção, o que fará a economia nacional desacelerar ainda mais. 

    No momento, medidas de resposta da China em relação aos EUA no âmbito da guerra comercial continuam sendo desconhecidas. Entretanto, a maior parte dos analistas acredita que o envolvimento em guerras cambiais não trará nenhumas vantagens a Pequim.    

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    Tags:
    desvalorização, guerra comercial, yuan, dólar, EUA, China
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