10:27 15 Agosto 2018
Ouvir Rádio
    Poço de petróleo nas proximidades da cidade de Denver

    'Aliados' inesperados: por que petroleiras dos EUA são contra sanções à Rússia?

    © REUTERS / Rick Wilking
    Economia
    URL curta
    6160

    Enquanto o Congresso dos EUA se prepara para impor novas sanções contra a Rússia, a indústria petrolífera do país intensifica sua campanha lobista para tentar evitá-las.

    Os maiores oponentes das sanções contra a Rússia são os gigantes petrolíferos ExxonMobil, Shell e Chevron, que foram afetados pelas sanções, revelou a colunista da Sputnik Natalia Dembinskaya.

    Embora as autoridades norte-americanas estimem que a Rússia perdeu três bilhões de dólares (R$ 11,2 bilhões) como consequência das medidas restritivas, a própria indústria norte-americana também sofreu perdas.

    Os sinais de alarme provenientes das empresas produtoras de hidrocarbonetos nos EUA são ignorados pelo Congresso e essas empresas são obrigadas a desistir de seus projetos na Rússia, que acabam nas mãos de seus concorrentes de outros países, sublinha a autora.

    Entre as mais afetadas está a ExxonMobil, informam os analistas do portal Oilprice.com. Já em 2015, apenas sete meses depois do início das sanções, a empresa perdeu quase um bilhão de dólares. Em 2018 a empresa teve de abandonar vários projetos conjuntos com a empresa petroleira russa Rosneft, o que custou à empresa norte-americana 200 milhões de dólares, informou a colunista.

    A Rosneft, por sua vez, está disposta a apoiar o retorno da Exxon Mobil a esses projetos assim que for juridicamente possível, destacou a autora.

    Não é pela primeira vez que os gigantes petrolíferos dos EUA mostram sua preocupação pela imposição de novas sanções contra a Rússia. De acordo com a colunista, isso não é surpreendente. Os economistas russos preveem que a indústria petrolífera dos EUA venha a perder pelo menos 100 bilhões de dólares (R$ 374 bilhões) entre 2017 e 2020. Os especialistas norte-americanos parecem estar de acordo com essas previsões.

    "As sanções terão consequências douradoras para muitas empresas e indústrias dos EUA. [As sanções] afetarão os interesses dos EUA e serão vantajosas para a Rússia", disse Jack Gerald, vice-diretor do Instituto Americano do Petróleo (API, na sigla em inglês).

    De acordo com os dados da OPEP, em 2018 o volume do petróleo produzido na Rússia aumentará em comparação com os anos anteriores e a Agência Internacional de Energia afirma que a produção russa continuará crescendo até 2020, acrescentou Dembinskaya.

    As sanções também não atingiram outro objetivo: limitar o acesso da Rússia às tecnologias de ponta no setor petrolífero, concluiu a autora. As empresas europeias, como a Eni e a Total, não desistiram dos seus projetos na Rússia.

    Em 29 de janeiro, os EUA começaram a impor sanções com base na CAATSA, Lei de Contenção de Adversários da América Através de Sanções, contra as entidades e pessoas estrangeiras que realizam transações importantes ligadas ao setor da defesa ou à inteligência russa.

    O Congresso dos EUA aprovou a CAATSA em julho de 2017 em resposta às acusações de que a Rússia teria tentado influir nas eleições presidenciais dos EUA de 2016. A Rússia negou todas as acusações de intervenção nas eleições e as qualifica de absurdas.

    Mais:

    Pescador é 'atacado' por milhares de peixes em Taiwan (VÍDEO)
    Projeto nos EUA quer tornar guerra não autorizada pelo Congresso motivo para impeachment
    Aliança do Pacífico criará zona de livre comércio, diz presidente chileno
    Tags:
    petroleiras, sanções, Chevron, ExxonMobil, Rússia, EUA
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar no FacebookComentar na Sputnik