14:38 19 Julho 2018
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    Diamantes (foto de archivo)

    Rússia e China criam 'diamantes digitais'

    CC0 / foofir123
    Economia
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    O Fundo de Desenvolvimento do Extremo Oriente russo (FRDV, na sigla em russo) celebrou um acordo com a empresa chinesa Tai Cloud Corporation para o desenvolvimento conjunto de projetos de blockchain. Eles planejam criar "diamantes digitais", revelou Aleksei Chekunkov, o diretor do Fundo.

    O FRDV visa criar um centro financeiro no porto de Vladivostok com base em um "criptovale" russo. Trata-se de uma espécie de 'sandbox' regulatório – campo de testes para novos modelos de negócio que ainda não estão protegidos por uma regulação vigente – amplamente utilizado em Singapura, Suíça e alguns outros países para testar novas tecnologias. Quando as autoridades não sabem que quadro legislativo seria o mais adequado para as mais recentes tecnologias, é muito razoável experimentar em áreas limitadas.

    Vladivostok é uma região muito conveniente para isso. Em primeiro lugar, no território do porto há condições econômicas especiais (taxas de impostos reduzidas, procedimentos administrativos simplificados). Em segundo lugar, Vladivostok está perto dos mercados asiáticos, que são líderes no desenvolvimento da indústria criptográfica. 

    O primeiro projeto da Tai Cloud com a Rússia pode ser a criação da cadeia de fornecimento de diamantes com base na tecnologia de blockchain.

    "Sendo um fundo de investimento, cremos que possui um grande potencial e representa um grande futuro para a indústria russa de diamantes. Os diamantes, tal como o ouro, poderiam se converter em um ativo de investimento. A blockchain permite fazê-lo", explicou Chekunkov à Sputnik China.

    Segundo o chefe do FRDV, neste caso, cada pedra levaria muito mais informação importante para os consumidores. Por exemplo, a sua data de "nascimento".

     "Imagine-se, um diamante seria muito mais valioso como produto emocional se o consumidor soubesse não apenas que a pedra esteve muitos anos na crosta terrestre, mas também que nasceu em um dia específico. Se um diamante for presenteado para o aniversário ou um casamento, seu valor aumentará significativamente", explicou ele.

    O Fundo espera que além do valor emocional, a tecnologia de blockchain aumente significativamente o valor de investimento do diamante.

    "Trata-se de um mercado relativamente pequeno. Se a produção anual de ouro no mundo é de 180 bilhões de dólares [R$ 580 bilhões], a dos diamantes é apenas de 20 bilhões de dólares [R$ 64 bilhões] […] Neste contexto, a presença de uma nova demanda de investimento pode fazer com que o diamante se torne um ativo muito atraente", afirmou o diretor do Fundo.

    Segundo Chekunkov, essa cooperação é benéfica para a parte chinesa, porque na Rússia há muitos recursos onde a tecnologia de blockchain pode ser aplicada. 

    "Podemos ser um dos primeiros países a apresentar nossos recursos naturais, que até agora têm estado na terra ou em cofres fortes, na forma eletrônica, acessíveis aos investidores de todo o mundo. Isso nos ajudará a atrair capital à economia mais rápido, com o objetivo de extrair esses recursos e os envolver na economia. É especialmente importante no contexto da complexa geopolítica atual", acrescentou ele.

    O especialista sublinhou que a Tai Cloud planeja organizar na Rússia o fornecimento de produtos alimentares com base no blockchain. Por exemplo, a empresa japonesa JGC Evergreen investiu no cultivo de tomates e pepinos orgânicos no Extremo Oriente russo. O blockchain pode provar a origem orgânica que justifica seu preço mais alto, porque em todo o mundo, especialmente na Ásia, os consumidores estão dispostos a pagar mais por alimentos com origem demonstrada, concluiu Chekunkov.

    Tags:
    tecnologia, diamante, blockchain, China, Rússia
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