21:06 15 Outubro 2018
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    Yuan chinês

    Yuan como principal moeda internacional: avanços e obstáculos

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    Economia
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    A taxa de câmbio do yuan vem batendo recordes depois de sua inclusão às reservas de vários bancos centrais da Europa. Além disso, o esperado início da entrada de contratos futuros de petróleo em yuan no mercado internacional contribuiu significativamente para consolidação da moeda chinesa.

    Especialistas do mercado russo elogiam crescimento da moeda, contudo, não descartam que o yuan possa vir a enfrentar vários obstáculos em seu caminho para se tornar a principal moeda internacional. 

    Vários analistas opinam que a entrada da moeda chinesa nos mercados internacionais não seja fácil. Os EUA e um conjunto de países em desenvolvimento têm medo de que o yuan passe a dominar a economia mundial, enquanto a estrutura da economia chinesa ainda não está preparada para lançar sua moeda nacional aos mercados internacionais, afirmam analistas. 

    Demanda crescente

    Andrey Shenk, analista do banco Otkrytie Private Banking, explicou ao canal russo RT que o crescimento registrado está "relacionado à espera de reformas". "O ano passado foi finalizado com a mudança no Politburo [do Partido Comunista da China]", afirmou ele. "Talvez o controle pelo fluxo de capital seja um pouco enfraquecido", adiantou. 

    Por outro lado, a crescente demanda de yuan está relacionada ao esperado endurecimento na política monetária do Banco Popular da China. 

    As grandes intervenções financeiras no mercado interno por parte do regulador nacional contribuiu para o fortalecimento da moeda nacional chinesa, assinalou Aleksei Maslov, professor da Escola Superior de Economia da Rússia. Além disso, o crescimento do yuan foi provocado pelas declarações de vários bancos centrais da União Europeia.

    Pioneiros europeus

    O Bundesbank da Alemanha foi o primeiro a incluir yuan em seus reservas. De acordo com a declaração do porta-voz do banco, citado pela Bloomberg, a decisão foi tomada no ano passado, quando o Banco Central Europeu investiu 500 milhões de euros (R$ 1,9 bilhão) na economia chinesa. 

    Algumas horas após o anúncio do Bundesbank, o Banco Central da França também confirmou guardar uma parte de suas reservas em yuan. Outros bancos centrais seguiram o exemplo de seus colegas e começaram a comprar yuan. Assim, o Banco da Bélgica adquiriu moedas chinesas correspondentes a 200 milhões de euros (R$ 787 milhões), o Banco Central eslovaco também investiu uma parte de seus recursos em yuan e o Banco da Espanha declarou ter intenções de fazer o mesmo.

    Tudo sobre a tendência

    O yuan vem reforçando suas posições desde 2016, quando o Fundo Monetário Internacional o incorporou à sua cesta de moedas com direitos especiais de saque (DES), onde este ocupa o terceiro lugar em seu peso (10,92%), ao superar iene japonês (8,33%) e libra esterlina (8,09%). O maior fator neste processo ainda não aconteceu: o início do comércio em contratos futuros de petróleo em yuan na Bolsa Internacional Energética de Xangai.

    O famoso projeto "Um Cinturão e Uma Rota" é um passo que leva à integração econômica da China com o resto da Eurásia, e também ao aumento da importância de sua moeda nacional, acreditam especialistas.

    Um dos obstáculos para o começo da circulação internacional do yuan é que a moeda depende do bem-estar e estabilidade econômica do país emissor.

    A economia da China está se desenvolvendo a ritmos altos, contudo, o setor bancário se encontra regulado até que não possa ser considerado completamente como "mercado", explicaram analistas russos. Devido a isso, yuan ainda não é livremente convertível.

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    Tags:
    economia mundial, fortalecimento, yuan, China
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