02:43 12 Novembro 2019
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    Programa Rota 2030 prevê isenção de R$ 1,5 bi por ano em subsídios às montadoras

    ‘Subsídios à indústria automobilística brasileira já não são mais necessários’

    Volkswagen do Brasil/Fotos Públicas
    Economia
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    “A manutenção de subsídios às montadoras no Brasil já não é mais necessária, ainda mais agora em um cenário de grave desequilíbrio fiscal.” A opinião é do economista e professor da Fundação Getúlio Vargas Rio (FGV-Rio) Antônio Carlos Porto Gonçalves.

    Em entrevista à Sputnik Brasil, Porto Gonçalves analisa a queda-de-braço que vem sendo travada entre o Ministério da Fazenda e o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Mdic) a respeito da substituição do Inovar Auto pelo Rota 2030. O Inovar Auto termina no próximo dia 31 e deveria ser substituído pelo Rota 2030. As montadoras têm pressionado o governo por uma definição, alegando que vivem uma situação de indefinição contábil que prejudica toda a indústria.

    O fato é que os técnicos da Fazenda não querem abrir mão do R$ 1,5 bilhão que seria concedido por ano às montadoras, com um quadro ainda de desequilíbrio nas contas públicas. Já os técnicos do Ministério da Indústria argumentam que a não renovação do programa vai prejudicar os investimentos das montadoras no país, o que pode se refletir até mesmo na geração e manutenção de empregos. 

    Vale lembrar que o Inovar Auto tem sido questionado pelas montadoras asiáticas junto à Organização Mundial do Comércio (OMC) sob a alegação que os subsídios dados no Brasil promovem uma concorrência desleal em termos de custos.

    Porto Gonçalves diz que os programas de incentivo às montadoras fizeram sentido a partir de 2008, quando da crise mundial devido ao estouro da bolha dos subprimes (créditos hipotecários) nos Estados Unidos, o que levou o mundo à pior recessão desde os anos 30. Para o economista, o pleito do Ministério da Indústria e Comércio parece agora indevido.

    "Se o governo pagar direto para a pessoa (trabalhador de montadora em caso de dispensa), vai pagar muito menos do que pagar via empresário. Dar dinheiro para desempregados via empresário é uma forma ineficiente de cunho social", diz Porto Gonçalves.


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    Tags:
    contas públicas, subsídios, concorrência, indústria automobilística, déficit, Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Mdic), Ministério da Fazenda, OMC, Antônio Carlos Porto Gonçalves, Brasil
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