13:03 11 Dezembro 2017
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    Financista bilionário George Soros (foto de arquivo)

    Previsão de Soros: faltariam 23 dias para falência da Rússia?

    © AP Photo/ Manuel Balce Ceneta
    Economia
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    Em 2016, o multimilionário George Soros previu que, em 2017, o Governo da Rússia deve enfrentar falência por causa das sanções e a necessidade de pagar uma parte considerável de sua dívida externa.

    Entretanto, os mercados financeiros ignoram o "alerta vermelho" na economia russa. Apenas 24 dias faltam até o fim do ano, escreveu o blogueiro russo Ivan Danilov em um artigo para a Sputnik. Os títulos da dívida pública russos gozam de uma boa demanda apesar dos riscos causados pelas sanções, enquanto a taxa de câmbio do rublo não mostra sinais de falência do governo russo, sublinhou Danilov.

    Outro índice que mostra que a profecia de Soros não será cumprida em 2017 é o preço do credit default swaps ou CDS, que representa um tipo de derivativo financeiro que assegura contra risco de falência. 

    Atualmente, o valor do CDS da Rússia é consideravelmente baixo. Ele é de 130 pontos básicos e é pior do que o valor do CDS da Itália e melhor que o do Brasil.

    "Este índice não corresponde à previsão de Soros", declarou Danilov, enfatizando que o magnata se enganou ao avaliar as perspectivas futuras da Rússia, revelando os três maiores erros nas previsões de Soros sobre a Rússia.

    Primeiro erro

    Este é um erro que poderia ser considerado clássico, de acordo com o blogueiro. Soros subestimou o exército russo. Sua análise não incluiu a mais remota possibilidade do sucesso das Forças Armadas da Rússia na Síria. A crise síria se tornou uma fonte adicional de renda para a Rússia devido ao sucesso da operação militar lançada no país.

    "Sem vitórias evidentes na Síria, seria impossível convencer os países-membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) que têm de cooperar com o Kremlin, mesmo que a Casa Branca seja completamente contra essa cooperação", explicou ele.

    O blogueiro opina que a principal causa do crescimento atual dos preços do petróleo deve-se mais à aplicação correta e efetiva da força no conflito sírio do que ao trabalho diplomático (que, de acordo com o autor, também é importante).

    Segundo erro

    O segundo equívoco de Soros é que ele menosprezou a economia russa e a elite governante, declarou Danilov. 

    "Segundo seu cenário, as autoridades russas deveriam cometer uma série de erros graves na sua política monetária e orçamentária". comentou ele.

    Além disso, Soros pensava que a Rússia poderia ser isolada do mercado financeiro global. Isso não aconteceu. As reservas de ouro do país têm crescido após a previsão do magnata, enquanto a demanda por títulos da dívida pública aumentou.

    "O mercado russo não foi isolado. Pelo contrário, tornou-se mais atraente e não apenas para amadores de ativos financeiros", disse Danilov.

    A este respeito, ele mencionou a construção da nova fábrica pela empresa Mercedes na região de Moscou e o desejo da empresa Volkswagen de comprar ações do consórcio GAZ.

    Tudo isso, segundo o autor, apontou que o negócio europeu acredita nas perspectivas da economia russa e espera que ela cresça, ao invés de colapsar.

    Terceiro erro

    O último fracasso de Soros é o mais importante, porque reflete a essência da incompreensão coletiva do Ocidente em relação à enigmática alma russa, considerou Danilov.

    De acordo com o magnata, a popularidade de Putin se baseia no contrato social, que exige que as autoridades russas preservem a estabilidade financeira e assegurem o crescimento permanente do bem-estar do povo. Soros pensava que as sanções ocidentais e a queda dos preços do petróleo prejudicariam o cumprimento desses objetivos.

    Danilov enfatizou que o contrato social concluído entre o povo russo e o presidente Vladimir Putin inclui implicitamente parâmetros econômicos, mas esses não são o componente mais importante.

    "A principal função das autoridades russas é proteger os interesses nacionais do país e sua dignidade perante as ameaças externas, incluindo as provenientes por forças das quais Soros faz parte", concluiu ele.

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    Tags:
    mercado financeiro, economia, George Soros, EUA, Rússia
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