10:33 22 Setembro 2017
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    Michel Temer faz propaganda da carne brasileira em encontro com Pedro Taques, governador do Mato Grosso

    Visita de Temer a Moscou catalisou suspensão de importação de carne brasileira pelos EUA?

    Marcos Corrêa / PR
    Economia
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    Devido à suspensão americana da importação de carne brasileira, a Sputnik Brasil perguntou a especialistas como isso vai influenciar na indústria brasileira de carnes e se a decisão estaria relacionada à recente visita do presidente Michel Temer a Moscou, que resultou nos planos de ampliar cooperação bilateral entre o Brasil e a Rússia.

    Lembramos que nesta quinta-feira (22) os Estados Unidos suspenderam todas as importações de carne fresca do Brasil devido às “recorrentes preocupações sobre a segurança dos produtos destinados ao mercado local”, de acordo com um comunicado do Departamento de Agricultura (USDA, na sigla em inglês).

    “O FSIS (Serviço de Inspeção e Segurança de Alimentos) recusou a entrada a 11% dos produtos de carne fresca brasileiros. Esse valor é substancialmente superior à taxa de rejeição de 1% das remessas no resto do mundo… É importante notar que nenhum dos lotes rejeitados chegou ao mercado norte-americano”, afirma-se no comunicado. As medidas norte-americanas mais rigorosas em termos de inspeção da carne brasileira entraram em vigor após a deflagração da Operação Carne Fraca no Brasil, que prejudicou a imagem da carne brasileira no exterior.

    Para Sergei Yushin, chefe do Comitê Executivo da Associação Nacional de Carnes, organização sem fins lucrativos russa, a suspensão norte-americana vai piorar ainda mais a crise da indústria de carne bovina brasileira.

    “A reputação do país [o Brasil] foi gravemente prejudicada. Muitos países impuseram restrições… até que a situação se torne mais clara”, disse ele em um comentário para a Sputnik Brasil, acrescentando que a situação não é muito boa para a indústria de carnes brasileira porque ela depende muito dos fornecimentos para os mercados exteriores.

    Até devido ao caráter estratégico do mercado dos EUA, explica o especialista.

    “O mercado norte-americano é um mercado muito solvente e importante para o Brasil e durante muito tempo foi difícil para os brasileiros entrar lá. Por isso, tal decisão [de suspender a compra de carnes brasileiras por parte dos EUA] irá influenciar negativamente a indústria e isso será bastante notável.”

    Suspensão após visita de Temer a Moscou – coincidência ou não?

    Temer e Putin conversam durante apresentação do Balé Bolshoi, em Moscou, na Rússia
    © Foto: Beto Barata/PR
    Outro especialista contatado pela Sputnik Brasil, o vice-reitor da Academia de Economia Popular e Serviço Público junto ao presidente da Rússia Sergei Myasoedov, opina que esta visita pode ter sido um catalisador para a decisão dos EUA de suspender a importação de carne bovina brasileira, mas as razões principais são mais profundas.

    “Eu acho que a visita [de Temer a Moscou] poderia servir como um catalisador no âmbito de uma verdadeira histeria [sobre os laços de Trump com a Rússia], mas não afirmaria isso de maneira rígida. O que aconteceu coincide com o rumo econômico geral de Trump”, explicou ele.

    A política do presidente dos EUA Donald Trump tende a ser mais protecionista.

    “A razão inicial é o rumo que os EUA escolheram. Um país doador que quer se tornar um país que recebe e redistribui bens de todo o mundo em prol dos seus interesses”, opinou.

    Já o chefe do Comitê Executivo da Associação Nacional de Carnes Sergei Yushin acha que a suspensão “não é nenhum desejo de retaliar ou proteger o mercado”.

    “Provavelmente, hoje há motivos suficientes para, pelo menos, estabelecer restrições temporárias aos fornecimentos para compreender como funciona o sistema [brasileiro] que garante a segurança das exportações, o que acontece com o escândalo de corrupção que saiu do nível dos veterinários e funcionários do Ministério da Agricultura e atingiu de fato o nível do presidente.”

    Tags:
    carne bovina, carne, restrições, Donald Trump, Michel Temer, EUA, Rússia, Brasil
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