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    Estrategistas militares dos EUA pressionaram a Casa Branca para planejar o uso de armas nucleares contra a China continental durante a Crise do Estreito de Taiwan de 1958, sugerem documentos recentemente vazados.

    Os documentos, relatados pelo jornal The New York Times no sábado (22), revelam a extensão das discussões de Washington sobre o uso de armas nucleares para deter invasão chinesa a Taiwan, incluindo o consentimento de alguns líderes militares dos EUA de eventuais contra-ataques nucleares a agressões a bases norte-americanas.

    As novas informações foram fornecidas ao jornal por Daniel Ellsberg, o delator que, em 1971, vazou os Papéis do Pentágono que detalhavam a duplicidade do governo dos EUA em sua manipulação da Guerra do Vietnã, escreve CNN.

    "A primeira utilização norte-americana de armas nucleares não deve ser contemplada, preparada, ou ameaçada em qualquer lugar, sob quaisquer circunstâncias, incluindo a defesa de Taiwan", escreveu Ellsberg no Twitter.

    Depois que o Partido Comunista tomou o poder na China continental em 1949, após uma guerra civil, o governo nacionalista fugiu para Taiwan. Mas Pequim encarava a ilha como parte de seu território, e os dois entraram em confrontos ao longo das seguintes décadas.

    O mais próximo que os EUA e a China estiveram de um conflito armado foi durante a Crise do Estreito de Taiwan de 1958, quando chineses usaram artilharia contra as ilhas periféricas de Taipé. Washington receava que o ataque pudesse ser um precursor de uma invasão total.

    De acordo com documentos vazados, alguns oficiais dos Departamentos de Estado e de Defesa dos EUA estavam preocupados que a perda de referidas ilhas pudesse levar a uma completa " tomada comunista chinesa de Taiwan".

    Em caso de ataque aéreo ou marítimo às ilhas taiwanesas, o general da Força Aérea dos EUA, Nathan Twining, disse que Washington teria que usar armas nucleares contra bases da Força Aérea chinesa para "evitar uma campanha de interdição aérea bem-sucedida", começando com "armas nucleares de baixo rendimento de 10 a 15 quilotons".

    Uma bomba nuclear Mark 6 dos EUA, semelhante à que caiu em 11 de março de 1958
    Uma bomba nuclear Mark 6 dos EUA, semelhante à que caiu em 11 de março de 1958

    Se isso não levasse a interrupção de ataque da China continental, "os EUA […] não teriam alternativa a não ser conduzir ataques nucleares no interior da China ao norte até Xangai".

    Documentos revelam que o chefe do Estado-Maior Conjunto dos EUA reconhecia que isto "quase certamente" levaria à retaliação nuclear a Taiwan e à base militar dos EUA em Okinawa, no Japão. "Mas ele enfatizou que se a política nacional é defender as ilhas costeiras as consequências teriam de ser aceitas", diz documento.

    No final das contas, o presidente dos EUA, Dwight D. Eisenhower, estava hesitante em usar armas nucleares e pressionou as tropas norte-americanas a manterem as armas convencionais.

    Um acordo de cessar-fogo no estreito de Taiwan foi alcançado em 6 de outubro de 1958, embora tenha havido tensões entre Pequim e Taipé.

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    Tags:
    Casa Branca, Exército dos EUA, China, Estreito de Taiwan, armas nucleares, ataque nuclear
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