16:18 06 Maio 2021
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    Novas frentes de competição no Ártico estão se abrindo e até mesmo a distante China está se envolvendo. Esse contexto pode se transformar em um problema de segurança para a OTAN, afirma mídia.

    Os investimentos militares contínuos da Rússia no Ártico podem estimular a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) a conceder à região uma maior atenção no planejamento de defesa da aliança, de acordo com autoridades e analistas nórdicos ouvidos pelo portal Defense News.

    A mídia recorda que o aquecimento global está abrindo novas frentes de competição no Ártico, uma região rica em recursos, e até mesmo a distante China está se envolvendo. Esse contexto, argumenta, pode se transformar em um problema de segurança para a OTAN e, se isso acontecer, a aliança deve ter uma estratégia para administrar o conflito.

    "Você tem tantos componentes para um dilema de segurança clássico que está aumentando no Ártico […]. Não se trata de colocar imediatamente mais vigilância lá em cima, ou mais tropas e instalações militares, trata-se mais de obter um entendimento conjunto de como lidar com isso e encontrar maneiras de avançar, se possível, com os russos", afirmou Anna Wieslander, diretora do programa do Conselho do Atlântico Norte.

    Relação Noruega-Rússia

    A Noruega, Estado-membro da OTAN, que faz fronteira com a Rússia, por um lado, denuncia o aumento militar de Moscou na península de Kola, base da Frota do Norte da Rússia. Por outro lado, Oslo busca manter boas relações com Moscou na gestão das pescas e cooperação da guarda costeira.

    Militares noruegueses
    Militares noruegueses
    "Estamos trabalhando em um diálogo aberto com a Rússia", disse o ministro da Defesa norueguês, Frank Bakke-Jensen, durante conferência virtual organizada pelo Conselho do Atlântico Norte em 19 de março. A ideia, acrescentou o ministro, é "sustentar" todos os instrumentos de sucesso que ainda existem, como o serviço conjunto de busca e salvamento e o canal de telecomunicações de crise.

    Mas, de acordo com portal Defense News, as autoridades norueguesas estão cada vez mais assustadas com os mísseis russos de longo alcance, novos armamentos subaquáticos e exercícios navais que se aproximam cada vez mais das costas dos aliados da OTAN.

    Oslo vê Moscou retornando a um tipo de estratégia, usada na era da Guerra Fria, de negação de área que busca criar águas seguras para que os submarinos nucleares realizem um contra-ataque nuclear no caso de uma guerra atômica.

    "Não podemos fugir do fato de que o cenário de segurança no Ártico está ficando mais difícil […]. Não vemos a Rússia como uma ameaça direta à Noruega, mas vemos cada vez mais sinais [de ameaça] para a OTAN e, portanto, a Noruega como membro da OTAN", afirmou Ine Eriksen Soreide, ministra das Relações Exteriores da Noruega.

    EUA de 'olhos abertos'

    Segundo a mídia, os legisladores dos EUA não veem a região do Ártico como uma fonte de conflito iminente.

    "É a região onde, em muitos aspectos, o status quo é invejável […]. Não estou minimizando os riscos aqui. Precisamos estar de olhos abertos", disse James DeHart, coordenador do Departamento de Estado dos EUA para a região do Ártico.

    Ao mesmo tempo, os funcionários do Pentágono estão convencidos de que as tensões em outros lugares podem se espalhar rapidamente para o Extremo Norte.

    Marinhas dos EUA e do Reino Unido realizam exercícios marítimos conjuntos no Ártico (foto de arquivo)
    © Foto / Marinha dos EUA
    Marinhas dos EUA e do Reino Unido realizam exercícios marítimos conjuntos no Ártico (foto de arquivo)
    "Temos que ser capazes de conectar alguns pontos e pensar no que devemos esperar da Rússia na região", comenta Jennifer Walsh, autoridade sênior de política do Departamento de Defesa dos EUA. Walsh acrescenta que embora o objetivo atual de Moscou seja reforçar sua defesa territorial no Ártico, "até onde [a Rússia] irá para aumentar sua supervisão ou controle das rotas marítimas no norte?". O mesmo vale para a China.

    Com as ambições declaradas de Pequim de ser protagonista na região, as tentativas da China de influenciar os mecanismos de governança no Ártico existentes devem ser julgadas à luz de seu comportamento em outros lugares, garante Walsh.

    Todavia, a OTAN não dedicado muita atenção ao Ártico, deixando o trabalho pesado para os países individualmente, disse Wieslander.

    "Se você tem uma quantidade maior de atividades militares, mas [não tem um] fórum político para colocar essas atividades em algum tipo de perspectiva, então você tem um problema", sentencia Wieslander.

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    Tags:
    China, EUA, Noruega, OTAN, Ártico
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