02:48 09 Março 2021
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    Enquanto os EUA planejam executar o exercício militar Joint Viking 2021 no Ártico, especialistas analisam o papel da Noruega nos planos norte-americanos de contenção da Rússia.

    As Forças Armadas norte-americanas estão fortalecendo sua presença militar na Noruega, bem próximo das fronteiras deste país com a Rússia.

    No início de janeiro, cerca de mil fuzileiros navais desembarcaram na Noruega, enquanto o Pentágono e políticos de Washington afirmam que há um aumento das tensões no Ártico. No entanto, segundo especialistas, as tensões são provocadas pelos próprios EUA. Neste cenário, a Noruega possui papel vital para os militares norte-americanos.

    Já há alguns anos que os EUA enviam fuzileiros navais à Noruega em regime de rotação, ou seja, quando unidades militares substituem outras em formato de rodízio em uma determinada região, fazendo com que a presença militar se torne permanente.

    A tarefa dos fuzileiros, sob as instruções de especialistas militares noruegueses, é aprender a combater nas condições climáticas severas do Ártico e treinar a cooperação estreita com os militares de outros países da OTAN.

    Em fevereiro próximo, norte-americanos, noruegueses, holandeses e britânicos participarão das manobras Joing Viking 2021, que abrangem um contingente de cerca de dez mil militares.

    No exercício, as tropas vão praticar a rápida deslocação de tropas a grandes distâncias, desenvolver a troca de informações em todos os níveis e execução de operações conjuntas.

    Militares britânicos durante exercícios da OTAN na Noruega (foto de arquivo)
    Militares britânicos durante exercícios da OTAN na Noruega (foto de arquivo)

    A ação, que ocorre anualmente, contará com blindados, peças de artilharia, aviação, navios e submarinos, que modelam ações de combate de alta intensidade em uma área com centenas de quilômetros quadrados, em grande parte formada por florestas e montanhas geladas.

    Em conversa com a Sputnik, o especialista militar Aleksandr Zhilin afirmou que a doutrina das Forças Armadas dos EUA tem como prioridade ensinar seus soldados a combater no exterior.

    "A política do governo é ter os militares americanos constantemente aparecendo em outros países para praticar operações de combate, reconhecimento, sobrevoo de aeródromos, controle de rotas marítimas [...]. Grande atenção é dada às operações conjuntas, pois os EUA sempre combatem através de outros", disse Zhilin.

    A tensão na região do Ártico é vista como artificial por Zhilin, uma vez que os EUA e a OTAN não abandonam suas pretensões quanto ao Ártico.

    "Os exercícios dos fuzileiros navais serão ofensivos, e não defensivos [...] Também são treinadas ações contra a Rússia. Se analisarmos no geral as manobras da OTAN na Europa, é muito claro que elas são organizadas para criar uma zona de tensão para Moscou. Nosso Exército não deve não reagir, em particular, ao que se passa na Noruega. Não há pânico, mas as forças e os meios são distraídos – nós precisamos ter total controle da situação e não permitir qualquer tipo de provocação."

    Plataforma de ataque ao norte

    Segundo o especialista Artyom Kureev, os EUA possuem sua própria infraestrutura criada no Alasca para o ensino de táticas de combate no Ártico, contudo, Washington prefere o treinamento na Noruega.

    "Eles [os EUA] precisam disso como líderes da OTAN. A Noruega é um dos membros mais antigos da aliança. Oslo encara a Rússia um inimigo possível. Ainda nos anos da Guerra Fria, os noruegueses criaram e mantiveram uma infraestrutura de contenção da URSS no Ártico. Isso continua ainda hoje. Em um real agravamento militar, o norte da Noruega logo se tornará na principal base de ataque da OTAN no caminho à cidade russa de Murmansk", diz o especialista.

    Ainda em 20 de janeiro, o secretário da Marinha dos EUA, Kenneth Braithwaite disse que a força continuará navegando regularmente próximo dos territórios reivindicados pela Rússia no Ártico, cada vez mais livre de gelo.

    "Vocês vão ver a Marinha [dos EUA] operando de novo de maneira permanente acima do Círculo Polar Ártico", publicou o portal Breaking Defense a afirmação de Braithwaite.

    Base para submarinos

    Pode-se dizer que os EUA já se fixaram no Norte, tendo a Noruega um papel fundamental nestas ações. Ainda em setembro de 2020, foi informado sobre a transferência do submarino nuclear norte-americano da classe Seawolf para o porto norueguês de Tromso, tendo como missão monitorar as rotas dos submarinos russos.

    Da mesma forma, os EUA reativaram sua 2ª Frota, responsável pelos oceanos Atlântico, Glacial Ártico e parte do Pacífico.

    Um dos pontos geográficos estratégicos, que data ainda da Guerra Fria, é a base naval subterrânea de Olavsvern, a poucas centenas de quilômetros da fronteira russa. Em um grande bunker na montanha, a 300 metros de profundidade, a base, construída na década de 60, abrigava submarinos e navios da OTAN. A qualquer momento, a frota da aliança poderia fechar a saída para o mar da Noruega e o Atlântico Norte à Marinha soviética.

    Submarino de ataque USS Seawolf da Marinha dos EUA (foto de arquivo)
    © Foto / Marinha dos EUA
    Submarino de ataque USS Seawolf da Marinha dos EUA (foto de arquivo)

    Apesar de ter ficado fechada por um tempo, sua reabertura é planejada.

    Já no ar, o Pentágono decidiu ainda em 2020 enviar seis bombardeiros estratégicos B-52 Stratofortress para exercícios de grande escala com a Noruega, enquanto em fevereiro quatro bombardeiros estratégicos supersônicos B-1Blancer serão deslocados para a Noruega a partir do Texas.

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    Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA, OTAN, Europa, EUA, Rússia, Ártico, Noruega, defesa
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