16:54 29 Julho 2021
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    EUA, Canadá, Dinamarca, Finlândia, Nova Zelândia, Noruega e Suécia fazem parte da iniciativa ICE-PPR, que cobre o oceano Antártico, bem como a região do Ártico.

    Em 27 de novembro, entrou em vigor o memorando de entendimento do Programa de Engajamento Cooperativo Internacional para Pesquisa Polar (ICE-PPR, na sigla em inglês). O documento estabelece disposições gerais que se aplicam à pesquisa básica para desenvolvimento, teste e avaliação para melhorar as capacidades dos países parceiros para o sucesso e operações seguras em áreas polares. Se os EUA aproveitarem ao máximo o acordo, ele estabelecerá as bases para Washington corrigir lacunas em uma área crítica, defende Chris Bassler, diretor do Programa de Cooperação em Ciência e Tecnologia Naval do Escritório de Pesquisa Naval (ONR, na sigla em inglês) dos EUA, em artigo no portal Defense News.

    "À medida que a navegação comercial, o turismo e a competição por recursos aumentaram nas regiões polares na última década, também aumentaram as atividades militares russas e chinesas […]. Os EUA, porém, não conseguiram acompanhar o ritmo", reconhece Bassler, que acredita que os EUA têm a chance agora de acelerar o desenvolvimento na região.

    Cooperação multinacional

    Além dos EUA, outros seis países participam do ICE-PPR: Canadá, Dinamarca, Finlândia, Nova Zelândia, Noruega e Suécia. O ICE-PPR é o primeiro esforço multilateral focado especificamente na cooperação em locais de alta latitude e clima frio em todo o mundo e é uma resposta direta ao aumento da competição de grande potência nas regiões polares.

    Fissura de gelo no Oceano Ártico
    © Sputnik / Pavel Lvov
    Fissura de gelo no Oceano Ártico

    O esforço ICE-PPR, que cobre o oceano Antártico, bem como a região do Ártico, cria um fórum colaborativo no qual as sete nações participantes podem iniciar, conduzir e gerenciar projetos de pesquisa polar, bem como providenciar material de apoio e compartilhamento de equipamentos.

    China e Rússia estão ativos na região

    A China está cada vez mais presente nas regiões polares, destaca Bassler. O país "se envolveu na pesca ilegal, tentou comprar minas de minerais de terras raras na Groenlândia, tentou estabelecer novos portos de embarque na Islândia, está adquirindo quebra-gelos pesados ​​com energia nuclear e delineou seu conceito para uma Rota da Seda Polar", afirma o diretor do ONR.

    "A China também aumentou o número de bases de pesquisa na Antártica, criando o potencial para a Antártica se tornar uma versão paralela baseada em terra das atividades que se desenvolveram no mar do Sul da China", garante Bassler.

    Por outro lado, o especialista destaca que as tensões na região aumentaram devido aos voos de bombardeiros russos e ao assédio de pescadores dos EUA. "A Rússia está instalando mísseis em quebra-gelos e afirma ter construído mais de 475 postos militares no Ártico. Também causou severa poluição do Ártico", diz.

    Quebra-gelo acaba de trazer exploradores polares russos para o Ártico para implantar a nova estação flutuante SP-40
    © Sputnik / Anna Yudina
    Quebra-gelo acaba de trazer exploradores polares russos para o Ártico para implantar a nova estação flutuante SP-40

    EUA ficou para trás

    Bassler relembra que desde a década de 1980, quando conduziu pela última vez operações sérias, sustentadas e abrangentes no Ártico, as capacidades dos EUA para regiões de alta latitude e clima frio atrofiaram. Como resultado, a Guarda Costeira norte-americana sofre com a escassez de quebra-gelos, as operações dos navios de superfície da Marinha são restritas em condições de gelo, as capacidades da Força Aérea dos EUA estão disponíveis apenas intermitentemente e ainda não há um único porto de águas profundas no Ártico dos EUA.

    Todavia, o especialista argumenta que o ICE-PPR pode mudar o panorama de Washington na região. "Os EUA podem aprender com a experiência das nações polares da linha de frente, todas as quais se destacam quando se trata de capacidades de defesa, especialmente em regiões de alta latitude e clima frio. Os EUA devem cooperar com eles em missões polares críticas, como vigilância e reconhecimento, busca e resgate e resposta a desastres."

    O ICE-PPR forneceria uma estrutura de cooperação estratégica para acelerar rapidamente as habilidades dos EUA e de nações com interesses semelhantes para preservar regiões polares seguras, estáveis e protegidas por meio de avanços na ciência, tecnologia e capacidade, acredita Bassler.

    "Devemos estar preparados e proficientes em todo o espectro de competição de grande potência nas regiões polares. E se a dissuasão falhar, a cooperação através do ICE-PPR ajudará todas essas nações a serem capazes de lutar mais efetivamente juntas nas condições adversas das regiões de alta latitude e clima frio", conclui o especialista.

    O ICE-PPR deve permanecer em vigor por 25 anos e permitirá o compartilhamento de interesses de longo prazo entre as sete nações participantes.

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    Tags:
    Suécia, Noruega, Nova Zembla, Finlândia, Dinamarca, Canadá, Rússia, China, EUA, Ártico, oceano Antártico
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